04/09/2017

PARA TE VER É LONGA TODA ESPERA (Jaci Bezerra)
Há uma serra no teu peito 
feita de sonho e de distância. 

É nessa serra que me deito 
com tua luminosa infância. 
Ao te esfolhar, na tarde branca, 
me extravio nas tuas ancas. 

Habitando a paisagem branca 
na curva dessa serra deito. 

Assim, montando as tuas ancas, 
cavalgo os sonhos do teu peito. 
Depois, retido na distância, 
na cama acendo a tua infância. 

Nos veludos da tua infância 
qualquer montanha é pura e branca, 
claro verão que, na distância, 
cintila sobre tuas ancas. 

É minha a serra do teu peito 
quando à sombra do teu corpo deito. 

Sobre os lençois, quando me deito, 
meu coração é a tua infância. 
Eu, pelas serras do teu peito, 
sou um menino na distância, 

cavalgando, na tarde branca, 
os girassois das tuas ancas. 

Nos extremos das tuas ancas 
cavalgo as serras do teu peito. 
O teu corpo, na tarde branca, 
é o meu lençol quando me deito. 

Uma criança, na distância, 
sou a serra da tua infância. 

Quero galgar serra e distância 
nas tuas mãos de nuvens brancas, 
do mesmo modo quero a infância 
e os girassois das tuas ancas. 

A mim me basta, se me deito, 
morrer nas serras do teu peito.