contou o que nem pensava
POÉTICA LEITURA
"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
22/04/2026
DIVÃ ( Déborah de Paula Souza ) in Vermelho Vivo; Laranja Original, São Paulo, 2021 ( Para Heidi Tabacof )
PRANTO EM MODO CLÁSSICO PELA TERRA PALESTINA ( Fatima Ahmad ) Tradução de Maria Carolina Gonçalves
Eu vou porque o cheiro da terra ainda me chama,
JOGUINHO ( Muna Amassdar ) Tradução de Alexandre Facuri Chareti
Quem apaga a guerra dentro de mim
TULCEA ( Maria João Cantinho )
Tulcea, que agora se afunda
TEIA ( Laís Araruna de Aquino )
não há seguro contra o estar no mundo
à beira do Capiberibe ou do Nevá
PREFIRO OS DIAS DE CHUVA ( Laís Araruna de Aquino )
prefiro os dias de chuva
AS MEMÓRIAS INVISÍVEIS ( Laís Araruna de Aquino )
caminhas pelas estradas polvorentas da tua memória
NOTURNO N. 3 ( Laís Araruna de Aquino )
as nuvens estão baixas e cinzentas
ODE À MANHÃ ( Laís Araruna de Aquino )
a manhã levanta do horizonte
tenho vontade de escrever e a cabeça não dói
está nublado e chove um pouco como se
deus molhasse as pontas secas
do coração entrincheirado da véspera
ontem quando olhei o céu estrelado
só pude ver o vazio na cavidade do meu peito
mas a manhã veio como uma certeza e uma novidade
agora a água cessou, um hino se inicia
os pássaros dão glória e se lançam no azul
deus abre e fecha a sua obra
ou são os homens que esquecem a criação?
ao poeta cabe apanhar a luz do ser
e dar-lhe o cristal do nome, onde a imagem fulgura
e deixa-se permanecer como um estremecimento –
compete atentar para a anunciação,
os raios do sol quebrando numa geometria
concreta sobre a folhagem,
e deixar que a nossa alma se encha
de alegria ao crepúsculo, ao refluxo das águas
ou à chegada do sono após a exaustão
às vezes, lembramos nossos corpos imperfeitos
e sentimos exalar a tristeza da finitude
mas damos graças – ou deveríamos dar –
por ter acontecido de estarmos aqui
como um lampejo entre os dias e a noite,
entre um afeto e uma cicatriz,
entre Sêneca e Walser,
as flores do campo e o estio,
sendo por tudo tocados nesta alternância
e a tudo tocando
aconteceu de estarmos aqui,
neste instante fecundo,
salvo para sempre porque votado ao esquecimento e ao fim –
ao invés de vagarmos anonimamente e sem rumo
como a poeira eterna do universo
21/04/2026
A ESCRITA E A ETERNIDADE ( Eduarda Chiote ) in Órgãos Epistolares, Edições Afrontamento, Porto, 2010
Contra o poder desagregador do corpo
O MEU MAIOR MEDO ( Katerina Gógou ) Mudado para português por Maira Parula a partir da versão em inglês de G. Chalkiiadakis
O meu maior medo
HÓSPEDE (Carmem Ruiz Fleta) Traduzido para o português pela poeta, tradutora e professora Maria Soledade Santos
Abri as portas da minha casa
Por Cláudia R. Sampaio; in “A Primeira Urina da Manhã”, Douda Correria, Lisboa, 2015
A malandrice chamou-me a atenção aos cinco anos,
O FUTURO? TEM ORELHAS ( Júlia de Carvalho Hansen ) in “Seiva Veneno Ou Fruto”, Editora Chão da Feira, Brasil, 2016
O futuro? Tem orelhas,
COMO ALCANÇAR O PARAÍSO (Daiva Cepauskaite )Versão: Luís Parrado da tradução inglesa de E. Alisanka e Kerry S. Keys em 2008.
Tens de ter coragem
A PEDRA ( Maria Graciete Besse ) in “Olhar Fractal“, Editora Ulmeiro, Lisboa, 1996
A pedra
20/04/2026
ORIGENS ( Sônia Barros ) in Mezzo Vôo; Nankin, São Paulo, 2007. Para Maria Aparecida Rangel Murbach
1
FIM DA LINHA ( Sônia Barros ) In Fios; Biblioteca Pública do Paraná, Curitiba, 2014
O trem desapareceu,
CONSTATAÇÃO ( Sônia Barros ) In Fios; Biblioteca Pública do Paraná, Curitiba, 2014
Descobriu sem tristeza
MOÇA COM BRINCO DE PÉROLA ( Sônia Barros ) In Fios; Biblioteca Pública do Paraná, Curitiba, 2014
Além da pérola
LUDO REAL ( Vinícius Cantuária & Chico Buarque )
Que nobreza você tem
18/04/2026
NO FUNDO ( Edgardo Xavier )
Parou em ti o meu olhar de fome
17/04/2026
SOLSTÍCIO DE VERÃO ( Maíra Dal’ Maz ) in Vira Uma Pedra O Tempo - Patuá, São Paulo, 2024
digamos que hoje é mesmo











