Safadeza na cozinha!
POÉTICA LEITURA
"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
29/03/2026
LESBOS ( Sylvia Plath ) organização, tradução: Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Arruda Mendonça. São Paulo: Iluminuras, 2007.
IV ( Irene Lisboa )
Ó luxúria brutal, perversa e felina,
AUSÊNCIA ( Gabriela Mistral )
Se vai de ti meu corpo gota a gota.
GUARDEI - ME PARA TI ( Lya Luft )
Guardei-me
FLUTUAÇÕES ( Flora Figueiredo )
O sonho aprendeu a pairar bem alto,
A CADELA (Lêdo Ivo)
Atraídos pelo cheiro de sangue de suas entranhas
PANTEÃO NACIONAL ( Matilde Campilho ) in Jóquei, 2014.
Mercúrio, meu cabrão:
SACI - PERERÊ ( Cleonice Rainho )
Bonequinho preto
PENETRAÇÃO DO POEMA DAS SETE FACES ( Elisa Lucinda ) A Carlos Drumond de Andrade
Ele entrou em mim sem cerimônias
QUE MIMO! ( Tobias Barreto )
Tu és morena e sublime
27/03/2026
MEDO DE AMAR Nº 2 ( Sueli Costa & Tite de Lemos )
Você me deixa um pouco tonta
25/03/2026
OS AMIGOS ( Sophia de Mello Breyner Andresen ) in 'Musa'
Voltar ali onde
QUANDO ( Sophia de Mello Breyner Andresen ) in 'Dia do Mar'
Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
25 DE ABRIL( Sophia de Mello Breyner Andresen ) in 'O Nome das Coisas'
Esta é a madrugada que eu esperava
APESAR DAS RUÍNAS ( Sophia de Mello Breyner Andresen ) in 'Antologia Poética'
Apesar das ruínas e da morte,
SABENDO DE MIM ( Mia Couto ) in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"
Fui sabendo de mim
VERSOS PARA A PATRÍCIA ( Mia Couto) in 'Raiz de Orvalho'
1. Ilha
HORÁRIO DO FIM ( Mia Couto ) in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"
morre-se nada
IDENTIDADE ( Mia Couto ) in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"
Preciso ser um outro
DIZ O MEU NOME ( Mia Couto ) in 'Raiz de Orvalho'
Diz o meu nome
DESTINO (Mia Couto) in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"
à ternura pouca
TARDIO ( Mia Couto )
Quando quis ser fruto
FURÚNCULO ( Flávia Santana Valadão )
Poesia é furúnculo
Tenho um gigante, quente,
Latejando em minh’alma
Desde os 11 anos de idade
Prestes e vindo à furo.
PÉTALAS ( Flávia Santana Valadão )
Sento-me no chão
À esquerda da porta do banheiro
De nossa casa!
Minha esposa sentada no vaso
De pernas abertas
Concentradamente,
Mexe em sua vulva
Contemplo a cena,
Flor rosa em pétalas: clitória
Extasia-me
A lépida liberdade de seus pequenos lábios
Ostentando desenho ímpar
Um fora na ninfoplastia
Enquanto caça pelos
Os mesmos e macios pelos
Que pôs em minha boca
Na primeira noite de amor
Em suas mãos, braços, ser
Há um vigor fértil
Revolverá sempre o solo de minha existência
O desejo de que pudesse gestar em seu ventre
Uma síntese de nosso amor
Nessa hora, me olha cúmplice
Fios de franja da cor de ouro
Caem em seu rosto
Ela sorri com boca e olhos
A abraço, seus cabelos roçam meus seios nus
Como o vento a encosta.
É DESERTO... ( Elaine Dauzcuk ) in O Ponto ; 2025, Editora Patuá.
Nessa areia sereia não brinca
Essa areia é para quem
Grita sem falar
Queima sem arder
É deserto…
Quando os cabelos caem
É a perna colada à cama
É corpo mumificado no lençol
É o peito sem movimento
É deserto…
Quando tomo banho
E não estou no banho
Quando como
E não estou quando como
É deserto…
Quando você não está
E quando também não estou quando você não está
É deserto…
Quando eu não me chamo
Quando eu me canso sem descansar
Quando descanso sem cansar
Quando só me pergunto quando
É deserto…
E eu não deserto
Decerto um camelo será apropriado
Na próxima temporada
porque não me iludo:
há tantos oásis quanto desertos
há tanta seca quanto chuva
É deserto…
quando os cabelos caem
e não sou calva
não me iludo:
há tantos fios para nascer e cair
quanto desertos para atravessar
convoco caravanas de panos coloridos
para me proteger
do que arde só para doer
tenho as entranhas cheias de areia
mas não me iludo:
sou feita de água.
ABRE-CAMINHO ( Elaine Dauzcuk ) in O Ponto ; 2025, Editora Patuá.
Ele numa ponta
Eu na outra
Ele fez a ponte
Em dois versos
Eu passei e voltei
Bem no meio do caminho
Ele fez a ponte
De cabeça baixa e acenou
Despenteado
Muitas luas minguaram
E a ponte ainda ali
Perfumada de alfazema
Cravada de girassóis
O tempo parou
Ou guardamos o tempo?
Pegamos os facões do querer
E bota a arrancar medo
Abrir estrada de ar
Fechar caminho de ferida
A ponte agora
Tem estação para chegar
Desembarque na primavera
E passagens para quando Deus quiser
Corre, voa veloz o instante
E ganha o céu
De ponte já fizemos trilhos
O amor tem pressa
Cospe saudade
Vê filme, passa as folhas do livro
Manteiga no pão
Porque esse trem a gente não perde
Já faz parte do nosso chão.







