POÉTICA LEITURA
"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
22/05/2026
Por Célia Moura, in Terra De Lavra
21/05/2026
MINHA MÃE DIZ ( Diva Cunha ) do livro Canto de Página
Minha mãe diz
que eu sou da pá virada
a da vida torta
os modelos dela são outros:
santa terezinha do menino Jesus
santa rita de cássia
santas
fora as santas domésticas
que foram sacrificadas
no dia a dia
e ninguém viu
sangradas como galinhas
maceradas em vinha d’alhos
postas a dormir no sereno
para secar odores
enfurnadas como bananas verdes
esfregadas nos ladrilhos
claros dos banheiros
costuradas em botões de quatro furos
esbofeteadas e sacudidas
como colchões e almofadas
para desprender o pó das horas
secaram todas
nos linhos brancos
dos lençóis bordados
ao morrer, não morreram
entregaram a alma a deus,
que provavelmente não as perdoou
pelo gasto inútil
que fizeram dos seus talentos."
CERTAS MULHERES ( Diva Cunha )
Certas mulheres catam coisas pequeninas
conchas, feijões, letras
outras distraem-se nos espelhos
contam rugas
algumas contam nuvens
criam cachorros e gatos como crianças
certas mulheres guardam mágoas
ressentimentos, botões, elásticos
algumas são como certos homens
não contam nada
ocupadas com coisas incontáveis.
POEMA DA AMANTE ( Adalgisa Nery )
Eu te amo
OS ERROS ( Sophia de Mello Breyner Andresen ) in O Nome das Coisas
DE UM AMOR MORTO ( Sophia de Mello Breyner Andresen ) in "Geografia"
De um amor morto fica
18/05/2026
ESTA MANHÃ O SILÊNCIO ( João Ricardo Lopes ) De Em Nome da Luz, 2022
esta manhã o silêncio subiu pelas paredes e pelas asnas,
sou agora toda a minha vida, o meu destino
ANOITECE ( João Ricardo Lopes ) De A Pedra Que Chora Como Palavras, 2001
16/05/2026
RESIDÊNCIA ( Conceição Lima ) no livro "O Útero da Casa". Lisboa: Editorial Caminho, 2004.
Regressarás pela ladeira velha
OS HERÓIS ( Conceição Lima ) no livro "O Útero da Casa". Lisboa: Editorial Caminho, 2004.
Na raiz da praça
O ANEL DAS FOLHAS ( Conceição Lima ) no livro "A Dolorosa Raiz do Micondó". São Paulo: Geração Editorial, 2012.
Viviam plantas, viviam troncos, viviam sapos
ÁGUA GRANDE ( Conceição Lima ) no livro "Quando Florirem Salambás no Tecto do Pico". Edição Autora, 2015.
Falo-te agora de um rio em mim nascente
VIM PARA ACENDER O TEU NOME ( Conceição Lima ) no livro "Quando Florirem Salambás no Tecto do Pico". Edição Autora, 2015.
Vim para acender o teu nome
A CASA ( Conceição Lima ) no livro "O Útero da Casa". Lisboa: Editorial Caminho, 2004.
Aqui projectei a minha casa:
A HERANÇA ( Conceição Lima ) no livro "O Útero da Casa". Lisboa: Editorial Caminho, 2004.
Sei que buscas ainda
A MÃO ( Conceição Lima ) no livro "A Dolorosa Raiz do Micondó". São Paulo: Geração Editorial, 2012.
Toma o ventre da terra
CIRCUM - NAVEGAÇÃO ( Conceição Lima ) no livro "O País de Akendenguê". Alfragide: Editorial Caminho, 2011.
Os barcos regressam
DESCOBERTA ( Conceição Lima ) em "Vozes Poéticas da Lusofonia". seleção Luís Carlos Patraquim. Sintra: Edição CM de Sintra,1999.
Após o ardor da reconquista
ESCRITURA ( Conceição Lima ) no livro "O País de Akendenguê". Alfragide: Editorial Caminho, 2011.
Chove na capital que morto libertaste
ESTÁTUAS ( Conceição Lima ) no livro "O País de Akendenguê". Alfragide: Editorial Caminho, 2011.
Neste país as estátuas desdenham alturas.
HASTE (Conceição Lima) no livro "A Dolorosa Raiz do Micondó". Lisboa: Editorial Caminho, 2006.
Num certo campo de um ermo lugar
KWAME ( Conceição Lima ) no livro "O País de Akendenguê". Alfragide: Editorial Caminho, 2011.
Deixei longe o clarim.
MÁTRIA ( Conceição Lima ) no livro "O Útero da Casa". Lisboa: Editorial Caminho, 2004.
Quero-me desperta
METAMORFOSE (Conceição Lima ) no livro "O País de Akendenguê". Alfragide: Editorial Caminho, 2011.
Hoje as palavras nada dizem de naufrágios.
15/05/2026
HÁ PESSOAS QUE PERDEM ( Martha Medeiros )
há pessoas que perdem os óculos
SE CONTARMOS TODAS AS PALAVRAS ( Martha Medeiros )
se contarmos todas as palavras que
VESTIDOS MUITO LONGOS E JUSTOS ME INCOMODAM ( Martha Medeiros )
vestidos muito longos e justos incomodam
DE MIM, QUE TANTO FALAM ( Martha Medeiros )
de mim, que tanto falam
TIMIDEZ ( Cecília Meireles )
Basta-me um pequeno gesto,
DESFILE DE MODA ANTIGO ( Maya Angelou )
12/05/2026
PALCO INVÍSIVEL ( Sara F. Costa ) O Movimento Impróprio do Mundo; Âncora Editora, 2016
trago comigo as gigantes perguntas
CANÇÃO DA VERDADE JOVEM (Vasko Popa) in A Rosa do Mundo 2001 Poemas Para O Futuro; Assírio & Alvim 2001
A verdade cantava no escuro
TALVEZ QUEM VÊ BEM NÃO SIRVA PARA SENTIR (Alberto Caeiro) O Pastor Amoroso; Poemas Completos de A. Caeiro; Presença 1994
Talvez quem vê bem não sirva para sentir

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