É na astúcia dessas mãos feitas de linho
POÉTICA LEITURA
"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
09/02/2026
Por Célia Moura, in "No Hálito de Afrodite"
08/02/2026
LOUCURA DE AMAR ( Natália Nuno )
Quero decifrar cada momento
SONHOS QUE ME NAVEGAM ( Natália Nuno )
Sonho que sou menina
PALAVRAS SOLTAS ( Natália Nuno )
Amar-te é meu segredo
LOUCURA ( Natália Nuno )
mais um dia
LINHA A LINHA ( Natália Nuno )
Perscruto as profundezas
ARREBATAMENTO ( Natália Nuno )
ante o teu corpo junto ao meu vou sonhando
SONHO DE SAUDADE ( Natália Nuno )
pelo meu corpo passeiam
FESTIM ( Natália Nuno )
no mar do teu corpo me perdi
inteira diluí-me na tua corrente
no furor da rebentação
vales distantes percorri
entre o prazer e o sonho
e os aromas da paixão
o sonho me enlaçou como uma hera
em horas de delírio e rendição
e o amor me rodeou com sua dança
em impulsos vorazes de desejos
assim prossigo inteira nesse teu mar
neste sonho que é tão meu e teu
prisioneira dos teus beijos
do nosso amor, nosso festim
certeza de ti e de mim.
na loucura dos instantes
mesmo aqueles que não tive
fui água amanhecida
sedenta
como riacho de verão
nos dias que se apagavam sobre si
numa lânguida lentidão
com saudade de ti.
ESTE NOSSO AMOR ( Natália Nuno )
Dá-me o que tens
recupera o fôlego
eu sou o rosto da fogueira
o vento do desejo
e às vezes da saudade
cansa-te no meu corpo
que o tempo dos sonhos acabou
não esperes milagre
nem tão pouco eternidade
tudo acaba, já tanto se calou
dá-me o toque dos teus dedos
ouve os meus gemidos
labirintos de segredos
espevita o carvão,
ateia a chama
e eu serei o fogo
que não se vê mas sente,
a areia ardente escaldante
deste nosso amor.
ESTE É O POEMA ( Natália Nuno )
Este é o poema onde tu me despes
como se fosse tua,
onde me sinto nua e crua.
Da tua boca saem palavras loucas
estremecidas de ternura
e loucura,
e tuas mãos sem paragem
seguem p'lo meu corpo viagem.
E o teu querer actua
num ritual de ir à lua
e voltar.
Nada sei de ti.
Que sabes de mim?
Tu és apenas o poema que li,
o amor que não vai acabar
porque te quero tanto assim!
Deixo-me ir na lonjura,
na entrega, na emoção.
Viajo no teu corpo, banhada
numa corrente de mel
onde com ternura
dirijo a tua mão
que arrepia a minha pele.
Nos meus olhos desejos
na tua boca beijos.
De repente o silêncio
como se estivéssemos ausentes
Só nossos corpos ainda quentes.
Assim nos amávamos
enquanto o poema ía nascendo!
TRANSE ( Djavan )
Abra o seu coração
FLORES SEM NOME ( Affonso Romano de Sant'Anna ) in Textamentos, 1999
Estou amando essas flores, sem lhes saber o nome.
ADOLESCÊNCIA ( Affonso Romano de Sant'Anna ) in Textamentos, 1999
Bom teria sido
MÚSICA NAS CINZAS ( Affonso Romano de Sant'Anna ) in Textamentos, 1999
Toda vez que soa esse adágio do concerto para oboé de Mozart
ILUMINANDO ( Affonso Romano de Sant'Anna ) in Textamentos, 1999
Que fulgurante a vida face ao entardecer.
DILEMA ( Affonso Romano de Sant'Anna ) in Textamentos, 1999
Sempre que volto de viagem
OS BOIS ( Affonso Romano de Sant'Anna ) in Textamentos, 1999
De madrugada matam os bois
A MARAVILHA DO MUNDO (Affonso Romano de Sant'Anna ) in Textamentos, 1999
Quem disse
AMOR DE OSTRA ( Affonso Romano de Sant'Anna ) in Textamentos, 1999.
Nunca soube como as ostras amam.
07/02/2026
NOCTURNO A DUAS VOZES ( Eugénio de Andrade ) in 'Poesia e Prosa [1940-1980]
— Que posso eu fazer
NAMORO ( Líria Porto) in livro "Garimpo". ilustrações Silvana de Menezes. Belo Horizonte MG: Editora Lê, 2014.
de encontro ao vento
QUE SE PASSA? ( João Camilo ) in Nunca Mais se Apagam as Imagens, 1996.
Claro que não, de maneira nenhuma.
À FLOR DA PELE ( João Camilo ) In revista Inimigo Rumor 13 - 2002- Ed. 7 Letras, Rio de Janeiro. Livros Cotovia, Lisboa
Acende o cigarro, rapariga. E olha para a
XLII ( Hilda Hilst ) in De Amavisse, 1989.
As barcas afundadas. Cintilantes
I ( Hilda Hilst ) Tempo - Morte, in Da Morte. Odes Mínimas
Corroendo
I ( Hilda Hilst ) in da Morte. Odes Mínimas, São Paulo: Massao Ohno, Roswitha Kempf Editores, 1980
Te batizar de novo.
COMO SE TE PERDESSE, ASSIM TE QUERO ( Hilda Hilst ) in Amavisse, 1989.
Como se não te visse (favas douradas
Sob um amarelo) assim te apreendo brusco
Inamovível, e te respiro inteiro
Um arco-íris de ar em águas profundas.
Como se tudo o mais me permitisses,
A mim me fotografo nuns portões de ferro
Ocres, altos, e eu mesma diluída e mínima
No dissoluto de toda despedida.
Como se te perdesse nos trens, nas estações
Ou contornando um círculo de águas
Removente ave, assim te somo a mim:
De redes e de anseios inundada.























