16/07/2026

7 (Maria Toscano) 2022. Coimbra, Praça da República.12 / Janeiro;

 cuidemo-nos

enquanto o fio da vida
segue inteiriço sem desfiar nem partir
– também os olhos das gazelas se entusiasmam
com o sereno rebordo da lagoa
em pleno estio em plena selva em plena vida.
cuidemo-nos
como só o tronco sabe
segurando sustendo enraizando
– assim os voos das gaivotas se espraiam
confiantes do poiso liso no retorno
em pleno inverno em pleno mar em plena vida.
cuidemo-nos
sejamos o colo desejado
de amante cuidador desejante.
– todas as savanas, todos os oceanos ensinam
os mistérios guardados sanadores
em pleno dia em plena noite em plena vida.
cuidemo-nos.
curemo-nos.
demo-nos.

1 (Maria Toscano) 2022. Coimbra, Praça da República.12 / Janeiro;

 há muitas palavras para mentir e apenas uma para a verdade.

no jardim das maravilhas da minha vida
jazem vários caules hercúleos,
eternamente iluminados pela seiva
interna
a correr desde o coração.
morrerei já não jovem, sei-o agora.
e do passar dos tempos sei, também agora,
que as convenções podem matar o brilho de um olhar
uma covinha no rosto
um arrepio na nuca.
só que nunca o amor será vencido.
mora em lugar altaneiro
onde poucos acedem
de onde muitos desabam
– ali
ao alcance da tal palavra pura.

2 (Maria Toscano) 2022. Coimbra, Praça da República.12 / Janeiro;

 havemos de saber

um dia
a misteriosa mecânica
da roda.
após olharmos
atentamente
as muitas variedades,
e materiais,
usos, finalidades e tamanhos,
após descobrirmos
a afinidade oculta -
essa rigorosa teia de raios
a ligá-las perfeitamente
pela ligação rigorosa
ao centro
ao coração
que tudo organiza ordena e dispõe
em posições paralelas ou concêntricas
sempre ligadas sem jamais se tocarem
sempre ligadas sem jamais se encontrarem –
um dia havemos de saber
por fim
a encantadora mecânica da roda
da vida.

3 (Maria Toscano) 2022. Coimbra, Praça da República.12 / Janeiro;

 esta pedra no centro do teu peito

é herança de feitos e desfeitos.
encimada pela pomba da esperança
nela jorram o sangue e o sal
da vida.
nela brilha a lamparina
consolação
sempre instigando dor e morte para longe
para longe 
para onde não haja pão nem vinho
nem o bater

de teu, agora, novo

coração
de trevos e rosas imaculadas.

4 (Maria Toscano) 2022. Coimbra, Praça da República.12 / Janeiro;

 lembra-te

de cada guinada das costas
depois do trabalho,
de cada esticão da coxa e dos músculos dos pés,
de tanta fadiga nos ombros depois de carregares aos ombros
a maldição de Midas dos secos patrões
esganados entre o parecer e o ter
sem pingo de paz nem poesia
para a sua própria salvação.
lembra-te dos versos que te nascem da exaustão e da dor
lembra-te do Poema, dos mestres da Palavra e do ardor
lembra-te do ardor benéfico da Palavra
que a tudo queima
a tudo lavra 
a tudo respiga até à mais funda raíz 
até a terra eleita emergir sob os passos desgastados
do operário manual
do camponês à jorna
da mulher invisível apoucada por outras mulheres
e de todos os viventes adiados sonegados e banidos
lembra-te de cada dor e sentir exasperado
destaca, diferencia, distingue, sofre e vive
o rebordo da angústia
o recorte da frustração
o amargo da tristeza e da dureza do que te morre
para poderes sempre regressar aos teus territórios amorosos e limpos 
e para conservares em ti o fio de prumo da justiça
da beleza, do respeito
e, sobretudo, da redenção.

6 (Maria Toscano) 2022. Coimbra, Praça da República.12 / Janeiro;

 e, depois,

sonhar.
estes os gestos magnânimos
do ritual do amor a mãos.

5 (Maria Toscano) 2022. Coimbra, Praça da República.12 / Janeiro;

 a vulva

continente
planeta
universo
de encontro dos amantes

QUATRO ( Maria Toscano )

 Guerreiras da Paz e da Fartura

perfiladas no horizonte
as guerreiras da fartura
aguardam o sinal para avançar.

virão devagar, robustas e vagarosas
pela encosta dos queridos montes raianos.

um ar de Setembro cuida de as manter na farta redoma 
emoldurando e desenhando 
o olival.

de tão lentos os passos
um estranho ao lugar juraria que não
que é fantasia ou ilusão de óptica
esse mito da marcha das oliveiras.

suponho que noutras paragens 
se sofre da mesma incredulidade:
uma crença árida e seca
insistindo na ideia de as oliveiras serem apenas árvores e,
para tal visão bafienta
árvores têm raízes que a fúria
humana escolhe onde plantar ou arrancar

acontece que, aqui, estamos no reino da imensidão
onde a única barreira a deter
é a arrogância e os brotos de mesquinhez.

aqui, no reino da imensidão
todos sabemos como as oliveiras defendem a paz
semeando temperos, sabores e sombras,
à medida que habitam as terras
até devir olival.

foi num monte destes que o tal das tranças se reconheceu homem amoroso
pois cabe aos olivais a missão do espelhamento das almas.

faça o forasteiro o teste:
assim que aviste um rebordo de oliveiras na linha cimeira de um monte
páre e disponha-se a acolher esse cortejo.
uma vez internamente pronto
basta habitar a máxima quietude interior
distender as pernas,
pousar mãos, braços e memórias
alongar o olhar desde onde emerge a esperança
até que a silenciosa invasão se consuma
e, num ápice, o terreno que parecia vazio
se revela pejado
de copas troncos folhas frutos
e da radiosa cantiga a várias vozes
dos outros seres esvoaçantes
sempre viajantes com cada olival. 

CINCO ( Maria Toscano )

 haverá um tempo e um lugar

para amansar a pressa 
sentir o vento fresco
a ondulação do rio no pulso gentil
e o riso refrescar a voz.
haverá um lugar e um tempo
de pausa inspirando algas
pisando pauzitos e lascas
molhando rugas magníficas
sarando raivas absurdas
para aflorar aos lábios, pujante,
o teu sorriso gaiato, 
eterno
fundamental.
haverá um lugar: é aqui.
haverá um tempo: é agora.

TRÊS ( Maria Toscano )

 aqui

assim
entre o azul do céu e a palha da seara
à boleia do Suão
no reencontro de corpo e alma
onde os subornos da infelicidade nunca chegam
entre as vagas da calma vagarosa 
deleitada
enquanto não chove: 
espero a tua fala interior.
.
no momento em que a lançares
nesse encontro dos nossos horizontes
poderei, enfim, partir:
– permanecer.

DOIS ( Maria Toscano )

 nasci para ser árvore negra

na noite guardada pela lua
de teu olhar.
a inclinação do fino raio de luz
por onde espreitas e enfrentas este pátio
do quotidiano ardente
a inclinação desmente a aparência de habitares este aqui.
o pátio é amplo e rico em
fraseados e requebros do Sul
a trazerem à memória o colo
da terra onde nasceste e cresces.
vens depois para anunciares o que virá.
a luz permite-te esse jogo inaudito
e maravilhoso de trocar as voltas ao tempo
inexistente para quem viaja entre pátios
e se derrama pelos céus das planas visões.
excessiva esta emoção
no meu peito de árvore – oliveira redobrando ramos
e alongando raízes dentro do chão.
nasci para ser essa árvore negra
guardada pela luz do olhar
que nos dás e alicias e ensinas.
antiga raiz no solo raiano
eu, oliveira baixa e resistente
descubro-me intacta
a todas as antigas falas
pois de falsas falas se tratou.
intacta me descubro
pois aprendo
com a luz de teu olhar 
ser o fundo uma passagem
ser o pátio uma moldura
onde opera a luz,
essa seiva maga de natal
doada pela inclinação do teu olhar.

UM ( Maria Toscano )

 nasci para aprender a ser árvore

crescente desde o coração da terra
voadora pelos ramos e asas 
espraiando-me entre cumes e desertos, 
montanhas mágicas serras áridas 
e mornas planícies morenas dos suis.
até desarvorar – fidelíssima e de vez – 
no amoroso corpo envolvente
do meu devoto amor , o mar.

ESTÁTUA DE MINEIRO NO RIO ( Solange Firmino ) A Carlos Drummond de Andrade

 Imagem fria e taciturna,

cem por cento de bronze.
Suporta calada e tímida,
no pedregoso calçadão,
a vida que persiste
ao redor.

Não profere palavras melodiosas
no chão varrido
onde pousa sua sombra;
não sabe se é noite, mar
ou distância,
na espantosa solidão do Rio,
onde voz e buzina se confundem.

Mas está cercada de mãos, afetos,
procuras.
Sem pensamento de infância ou saudade,
somente a contemplação muda
dos ritmos que passam:
curiosos ou indiferentes.
Param, fotografam,
agridem.

É uma nova categoria de eterno,
estar ali sem estar.
Legado de bronze no meio do caminho,
entre os homens e o mar,
no grande mundo que está crescendo
todos os dias.
Eterníssimo.

CRISÁLIDA ( Paula Glenadel ) In Quase uma Arte. Cosac Naify, São Paulo; 7Letras, Rio de Janeiro; 2005

                        para Luísa

 agora já não pedes

meus nervos em pasto

agora já te afastas
crescida em beleza

agora me contas piadas
que aprendes ou inventas

agora pressinto tuas asas

15/07/2026

CORCÉIS ( Paula Glenadel ) In Quase uma Arte. Cosac Naify, São Paulo; 7Letras, Rio de Janeiro; 2005

 controlar os corcéis

da alma,
desembestados,
com mão segura
como o lastro do navio,
seu peso em areia, em ouro:

o medo dá asa a cobra
cria monstros na sombra
viaja nos desvãos
estremece os alicerces
uiva sussurrando ruínas

LUA CHEIA ( Cassiano Ricardo ) in Poesias Completas. José Olympio, Rio de Janeiro, 1957

 Boião de leite

que a Noite leva
com mãos de treva
pra não sei quem beber.

E que, embora levado
muito devagarzinho,
vai derramando pingos brancos
pelo caminho...

SONETO DA AUSENTE ( Cassiano Ricardo ) in Poesias Completas. José Olympio, Rio de Janeiro, 1957

 É impossível que na furtiva claridade

que te visita sem estrela nem lua,
não percebas o reflexo da lâmpada
com que te procuro pelas ruas da noite.

É impossível que, quando choras, não vejas
que uma de tuas lágrimas é minha.
É impossível que, com o teu corpo de água jovem,
não adivinhes toda a minha sede.

É impossível não sintas que a rosa
desfolhada a teus pés, ainda há um minuto,
foi jogada por mim, com a mão do vento.

É impossível não saibas que o pássaro,
caído em teu quarto por um vão da janela,
era um recado do meu pensamento!

CANÇÃO DE AMOR PARA UMA MOÇA JUDIA ( Iracema Macedo ) in Lance de Dardos. Edições Estúdio 53, Rio de Janeiro, 2000

 Conheço Rosinha Palatnik

por um único retrato de louça
que vive no cemitério
entre os túmulos judeus
Morreu em 1936 aos vinte anos de idade
e há sobre a lápide letras em hebraico
que não decifro

Talvez suicídio, talvez outra sorte
De qual morte morreu essa moça judia
que não morre?
De qual vida ela vive naquele retrato
de louça que mais parece de carne
E por que vem assim
semear-me no meio da tarde?

O que te devo, mulher, o que queres?
Viveste na minha cidade
e queres ainda viver por mim, por meus olhos
por minha carne de homem
boca   lábios   ouvidos
e queres ser uma música

Te vejo em muitos lugares
sempre dentro do retrato
presa e viva, branca e morta
Que queres, mulher,
tanto tempo depois do tempo
em que houve calor para ti no mundo?
Que queres na tua janela de vidro
com o teu corpo de cinzas?

Não me faças desejar-te assim
Tu que não tens mais carne
para o meu desejo
nem sequer seda de vestido que eu toque
nenhum corpo nem seios
só o retrato frio na lápide
Que amor terrível é este que me trazes?

O PÁSSARO INCUBADO ( Antonio Carlos de Brito - Cacaso ) in Poesia Completa; Companhia das Letras, São Paulo, 2021

 O pássaro preso na gaiola

é um geógrafo quase alheio:
Prefere, do mundo que o cerca,
não as arestas: o meio.

É isso que o diferencia
dos outros pássaros: ser duro.
Habita cada momento
que existe dentro do cubo.

Ao pássaro preso se nega
a condição acabado.
Não é um pássaro que voa:
É um pássaro incubado.

Falta a ele: não espaços
nem horizontes nem casas:
Sobra-lhe uma roupa enjeitada
que lhe decepa as asas.

O pássaro preso é um pássaro
recortado em seu domínio:
Não é dono de onde mora,
nem mora onde é inquilino.

FACE A FACE ( Antonio Carlos de Brito - Cacaso ) in Poesia Completa; Companhia das Letras, São Paulo, 2021

 São as trapaças da sorte, são as graças da paixão

Pra se combinar comigo tem que ter opinião
São as desgraças da sorte, são as traças da paixão
Quem quiser casar comigo tem que ter bom coração
Morena, quando repenso o nosso sonho fagueiro
O céu estava tão denso, o inverno tão passageiro
Uma certeza me nasce e abole todo o meu zelo
Quando me vi face a face fitava o meu pesadelo
Estava cego o apelo, estava solto o impasse
Sofrendo nosso desvelo, perdendo no desenlace
No rolo feito novelo, até o fim do degelo
Até que a morte me abrace

São as desgraças da sorte, são as traças da paixão
Quem quiser casar comigo tem que ter bom coração
São as trapaças da sorte, são as graças da paixão
Pra se combinar comigo tem que ter opinião
Morena, quando relembro aquele céu escarlate
Mal começava dezembro, já ia longe o combate
Uma lambada me bole, uma certeza me abate
A dor querendo que eu morra, o amor querendo que eu mate
Estava solta a cachorra que mete o dente e não late
No meio daquela zorra, perdendo no desempate
Girando feito piorra, até que a mágoa escorra
Até que a raiva desate

São as trapaças da sorte, são as graças da paixão
Pra se combinar comigo tem que ter opinião
São as desgraças da sorte, são as traças da paixão
Quem quiser casar comigo tem que ter bom coração.

ARCA DA LEMBRANÇA ( Mariana Ianelli ) in O Amor e Depois; Iluminuras, São Paulo, 2012

 Um sol de opala se uma tarde é pasto da memória

Uma luz de chá dourando o canto cego de uma sala
E sobre a mesa o espelho d'água

A ocasião do ato secreto

De repovoar veredas, antros, mirantes do passado,
Saudade que vai juncando de ramos, conchas e corais
Todo o imenso dorso de um barco naufragado.

13/07/2026

DELIVERY ( Bruno Ramalho )

 à boca que

entrega o silêncio,

a outra pede

com saliva.


ARDENTE ( Bruno Ramalho )

 ninguém 

cala

a boca 

dos olhos.

VISTO - ME DE SILÊNCIO ( Célia Moura ) in No Hálito De Afrodite - 2018. Publicado na Colectânea de Poesia Ecos de Apolo

 Visto-me de silêncio

Perante
O teu olhar cativo
Lânguido de madrugadas
Para saborear
Esse odor de pele
Que rasga de mim
Qualquer memória
E me oferto plena
Ao êxtase
Incendido em teus braços
Num jubiloso tango
Rubro de pétalas e licor

e danço em teu corpo
Renascida de mim!

CONFESSO QUE TE AMO ( Célia Moura )

 Confesso que te amo,

sempre te amei
mesmo que nada te consiga dizer
pois emudeceste-me até à foz.

Ainda que não te suporte
e faça renascer cardos,
sou como o rio que te acaricia os pés
e o caminho.
E mesmo que sejas incapaz
de um pequeno gesto
que me faça sorrir de novo
a ti me entrego.

Como tem sido árduo este caminho,
sufocante este grito que não sai,
e permanecer tão distante de tudo e do mar!
Mas eu sou a água que te mata a sede
a alegria que já não toleras
enquanto me queimas em todas as palavras.

Quem dera que me amasses ainda,
nesta sublimação da angústia que nos trespassa
como uma farpa
porque te amo até nas injúrias sem nexo
e sei que te amarei até ao fim de mim
da mesma forma que te desprezo
por não me seres raiz.

ÀS PEDRAS DA CALÇADA ( Célia Moura )

 Pois que se crivem balas

nas minhas coxas prenhes
de ilusão
que eu ainda assim rodopiarei
à chuva e ao vento
para te gritar meu hino.
meu sangue,
meu Amor!

E que venham arqueadas foices
em focinhos de hienas,
e pragas de sanguessugas
que eu saberei ser veneno
ou cinza apagada no esplendor
das alvoradas

E quanto a vós,
inúteis pedras da calçada,
pisando-vos,
vos humilho, com a certeza
de que bem presas ao chão por onde caminham
meus pés de alento
não passais disso mesmo,
inertes e toscas
assassinas ou até arte
à mercê das mãos
de qualquer um.

Pois que me crivem balas,
e eu renascerei semente.

ILUMINADOS ( Célia Moura ) in Jardins Do Exílio - 2003

 Iluminados

Foram já teus passos,
Que outrora
Acariciavam o sombrio gemido
Do soalho.

Mensageiro
Veio a ti
No Inverno da injustiça!

Ergue os braços
Ao infinito,
Pois a Primavera vem,
Imensa!

Derramar-se-ão prenúncios verdejantes
De gestação.

Veste-te agora
Do orvalho fresco da manhã.
Sacia a alma
No esplendor prometido
E vai sem temor,
Em hinos de louvor
Rumo ao altar
Das rosas brancas!

12/07/2026

FREVO ( Tom Zé & Tuzé de Abreu )

 Esta noite não quero saber de conselho

esqueça, deixe pra lá
me arranja um pecado
quente pra me consolar
pense bem que depois
tem o ano inteiro pra gente pagar

Cinqüenta gramas de amor
veja lá, é um bocadinho
vinte gramas até,
venha cá, é tão pouquinho.
Eu vou morrer se você
não quiser
me arranjar um pecadinho.

10/07/2026

AMOR ( Álvares de Azevedo )

 Amemos! Quero de amor

Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!
Na tu' alma, em teus encantos
E na tua palidez
E nos teus ardentes prantos
Suspirar de languidez!
Quero em teus lábio beber
Os teus amores do céu,
Quero em teu seio morrer
No enlevo do seio teu!
Quero viver d'esperança,
Quero tremer e sentir!
Na tua cheirosa trança
Quero sonhar e dormir!
Vem, anjo, minha donzela,
Minha' alma, meu coração!
Que noite, que noite bela!
Como é doce a viração!
E entre os suspiros do vento
Da noite ao mole frescor,
Quero viver um momento,
Morrer contigo de amor!