Quando teus exércitos chegaram
POÉTICA LEITURA
"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
14/04/2026
ESCRITA E LIBERDADE ( Maria de Fátima Ferreira Rodrigues )
Por Priscila Faria; in Nesse Corpo de Água Doce
há penas mais pesadas que as dadas nos cárceres
penas que somente por nós podem ser pagas
asas amarradas, que só encontram liberdade
com o peso de uma pena na mão
na minha insustentável leveza
eu sinto
tudo o tempo todo
me toca
sinto muito
eu voo
TAPUIA ( Raul Bopp apud Mário da Silva Brito ) in Poesia do Modernismo, 1968.
As florestas ergueram braços peludos para esconder-te
com ciúmes do sol.
E a tua carne triste se desabotoa nos seios,
recém-chegados do fundo das selvas.
Pararam no teu olhar as noites da Amazônia, mornas e imensas.
No teu corpo longo
ficou dormindo a sombra das cinco estrelas do Cruzeiro.
O mato acorda no teu sangue
sonhos de tribos desaparecidas
– filha de raças anônimas
que se misturaram em grandes adultérios!
E erras sem rumo assim, pelas beiras do rio,
que teus antepassados te deixaram de herança.
O vento desarruma os teus cabelos soltos
e modela um vestido na intimidade do teu corpo exato.
À noite o rio te chama
e então te entregas à água preguiçosamente,
como uma flor selvagem
ante a curiosidade das estrelas.
Por Priscila Faria; in Nesse Corpo de Água Doce
eu quero a palavra com cheiro, a palavra com pelos
que veja a beleza desfocada
quero a palavra sem espelho, atemporal, vadia
que abrace a menina, penetre a mulher
quero a palavra perfurante
na garganta
a palavra que treme e vibra e contrai
a palavra da água da morte do medo do fim
eu quero a palavra engasgada
sem fôlego, sem batimentos, sem culpa
quero a palavra mapa, procura e dedos
a palavra sem ida e sem volta
que se contradiga
a palavra descrente da verdade do agora
eu quero uma palavra que é tudo
e que não sabe de nada
quero a palavra que reinvente a vida
materialidade fina e transcendente
do meu gozo, num único verbete
uma fogueira, um altar, a porta
do céu ou do inferno
eu quero a palavra muda
a palavra que desnude a poesia
eu quero o milagre do verso
porque meu sexo não sabe ser escrito
13/04/2026
FLOR DE TANGERINA ( Alceu Valença )
Hoje eu sonhei que ela voltava
BORBOLETA ( Alceu Valença )
Ela é uma borboleta
11/04/2026
O QUE SERÁ ( À FLOR DA PELE ) ( Chico Buarque )
A ILHA ( Djavan )
Um facho de luz
10/04/2026
NESTE SILÊNCIO ( Artur Ferreira )
Olhando nos meus, teus olhos gritavam:
ESSES HÁBITOS QUE TENS ( Artur Ferreira )
Hoje acordei
NOITE DE MENDIGO ( Eliana Mora )
Fui seqüestrada nas entranhas
O CAMINHO DAS NUVENS ( Eliana Mora )
Senti na pele
RITMO DESNUDO ( Eliana Mora )
As pétalas de um corpo
PRECE ( Eliana Mora )
Preciso do veludo
AS PORTAS DO MEU COFRE ( Eliana Mora )
Insensata alma
TEU FRUTO ( Carlos Seabra )
Chupo
O AMAR DO MAR ( Carlos Seabra )
boca do mar
PRIMAVERA ( Maria da Saudade Cortesão Mendes)
A Musa que passava
MA E MI ( Rosa Leonor Pedro )
Meu amor, procuro o ritmo do teu corpo no meu corpo,
FRAGILIDADE ( Rosani Abou Adal )
Teu corpo ausente do meu corpo,
MISTÉRIOS DA INTIMIDADE ( Rosani Abou Adal )
Nossa intimidade é tão secreta
AQUÁRIO ( Rosani Abou Adal )
Tudo frio na madrugada.
PERDIDOS NO UNIVERSO ( Rosani Abou Adal )
Há momentos em que me sinto
NUA ( Rosani Abou Adal )
Sinto-me como um cabide
CARÊNCIA NA NOITE ( Rosani Abou Adal )
Procurei-te por todos os cantos e bares.









