Águas subterrâneas
presas em meu corpo enlamaçado
procuram desaguar por onde seu rastro
pintou a liberdade
quadro de muitas pinceladas
coreografia não ensaiada
Corre
feito água na relva
árvore possuída pela
ventania
da sua presença
Solo fértil para a procriação
de desejos incontornáveis
os meus dedos alcançam o céu
mas quero tocar a origem
o começo úmido do mundo.
Há dias em que o meu ventre cria
troco de casca
sou a nova fonte do que serei um dia
há dias em que o meu ventre pesa
carrego a dança fúnebre:
dois passos entre morrer e renascer.
O tecido com que fui represada
anseia por escorrer
por um corpo em ondas
dourado pela luz de Isadora.