13/03/2026

À ISADORA DUNCAN ( Ana Júlia Lima )

 Águas subterrâneas

presas em meu corpo enlamaçado

procuram desaguar por onde seu rastro

pintou a liberdade

quadro de muitas pinceladas

coreografia não ensaiada

                         Corre

feito água na relva

                         árvore possuída pela

ventania

                      da sua presença

Solo fértil para a procriação

de desejos incontornáveis

os meus dedos alcançam o céu

mas quero tocar a origem

o começo úmido do mundo.

Há dias em que o meu ventre cria

troco de casca

sou a nova fonte do que serei um dia

há dias em que o meu ventre pesa

carrego a dança fúnebre:

dois passos entre morrer e renascer.

O tecido com que fui represada

anseia por escorrer

por um corpo em ondas

dourado pela luz de Isadora.