17/02/2026

THE HEART IS A LONELY HUNTER ( Golgona Anghel )

 Arqueja-me o dilúculo no ventrículo

esquerdo da alma

quando te avisto a descer, meditabunda,

a avenida da minha liberdade de expressão.

 

Conto-te os passos em ordem minguante,

desde a esquina da mais cruel alucinação

e as rãs rezam, em voz baixa,

o hino nacional.

 

Reconheço-te a sinalização temporária dos sorrisos,

mas pressinto a derrogação tácita

das listas de espera,

enquanto um relógio de pedra imita as faces do poente.

 

Desfraldo a fresta da nossa gesta

e vejo uma placa a pendular ao alísio.

Vai e vem, vem e vai, como o badalejo

de um sino de vaca.

 

Um badalejo de bronze. A tresandar a queijo e a azedão.

Viro-a ao contrário,

 

de modo a dispor as letras de frente para mim.

Estas, grandes, gordas, inchadas, incorporam, na sua opulência,

a pergunta queres sentir-me dentro de ti ?