
E em que furor sagrado
Os nossos corpos nus e desejosos
Como serpentes brancas se enroscaram,
Tentando ser um só!
(José Régio)
celebremos o amor!
amo-te, sim,
e não é de hoje.
amor insólito,
estrambótico,
enviesado, esse meu.
ele faz com que eu veja coisas
que não existem,
imagine realidades loucas.
amor doente.
(sim, o amor pode ter febres),
amor ardente,
as vezes al dente,
pois, te devoro
até não sobrar haveres.
amor estropiado
pirado, maltratado,
as vezes, o último na lista.
mas, não culpemos o amor
(essa coisa lindinha)
pelos nossos tropeços,
desmedidas, fins e recomeços,
o amor precisa ser poupado
do ódio, das intrigas,
do tédio cotidiano.
viva o amor de casca fina,
verde e azedinho como um kiwi.
viva o amor cantado em verso e prosa
que adoça a minha boca
e amarga da garganta aos rins.
viva o amor!
viva, viva,
sempre!