O sangue das palavras
deve beber-se frio.
quando somente ouço e me deleito na chuva
que beijando-me, se escorre em meu corpo?
Não penses que a enseada
onde esgravatas o ébrio azul
desse poema feito de maresia
te será melhor
que as farpas.
O mar crava-se na alma
feito embrião,
jamais parido!
O sangue das palavras deve beber-se obliquamente gelado.
Porque continuo a clamar as chuvas
em pleno Agosto?!
Apeteces-me!
Entre as chuvas, este odor a terra fecundada
e a África onde permaneço
Sabes-me a nada!
Que ao menos me faças gerar a semente desejada
este sangue de palavras e loucura num pedaço de maçã
com canela, hibisco e chá de absinto!