A chuva, sensualíssima, procura
Embebedar as folhas e as raízes.
Verga meus ombros, prende-me a cintura.
Respira com as árvores felizes.
E feminina, feminina, actua
De modo a encher de gozo a hora em que vivo.
A minha carne entrego-lha. Está nua!
Porque sou másculo é que sou cativo.
Aceito a chuva. Sorvo-a! Não discuto
O som libidinoso do seu pranto.
E, como a interromper sinais de luto,
Sorrio. Fico remoçado. Canto!
E canto o amor, o amor das mães solteiras
- Amor sem medo, amor sem fingimento.
