Está bem morto
o guerreiro Amoin Aruká
último homem do povo Juma
último dos sete sobreviventes
do massacre do Rio Assuã
Comerciantes de Tapauá
reuniram suas forças armadas
que atiraram nos Juma como se fossem macacos:
sessenta índios mortos
e as castanheiras do território estão salvas
Amoin Aruká
ainda se lembrava das almas decapitadas
espalhadas na floresta
corpos dos índios devorados por porcos-do-mato
em mil novecentos e sessenta e quatro
Amoin Aruká
era ele e mais quatro em dois mil e dois
dos quinze mil índios Juma
do início do século vinte
Amoin Aruká
foi exterminado aos poucos
oitenta ou noventa anos vividos e sobrevividos
Mas agora Amoin Aruká está bem morto
o último guerreiro do povo Juma.
