(de)marcadas estão as marcas do tempo
nas rugas dos meus pais.
do solo quente e seco
também ficaram sinais.
pés rachados,
como a terra violada da ka’atinga:
por bois,
por balas,
por botas.
hoje a gente anda no asfalto
concreto acima de nossas cabeças,
mas quando voltamos para casa
meus pais abraçam árvores,
olham para o céu
e são amigos das palmeiras.
toda vez que leio um livro de história
ou vejo a beleza das gravuras rupestres no Poty
eu sinto:
dói tudo, nos tiraram tanto…
então, vamos gritar
andar em marcha
acolher sementes
e escutar raízes.
queremos demarcação,
MARCO TEMPORAL NÃO!
crianças brincando no rio e no oceano,
MARCO TEMPORAL NÃO!
passarinhos voando livres
MARCO TEMPORAL NÃO!
chuvas todo ano
MARCO TEMPORAL NÃO!
tocar nossos pés no chão
MARCO TEMPORAL NÃO!
vocês realmente não sabem o que fazem.
perderam completamente a compostura,
esqueceram o que é ancestral:
a Terra.