05/02/2026

NO FUNDO DOS RELÓGIOS ( Filipa Leal ) in "A Cidade Líquida e Outras Texturas"; Deriva Editores)

 Demoro-me neste país indeciso

que ainda procura o amor
no fundo dos relógios,
que se abre
como se abrisse os poros solitários
para que neles caiam ossos, vidros, pão.
Demoro-me
no ventre desta cidade
que nenhum navio abandonou
porque lhe faltou a água para a partida,
como por vezes desaparece a estrada
que nos conduz aos lugares
e ali temos que ficar.