Eram de barro os cântaros
que acolheram os licores da carne.
Era de algodão cru o tecido do lençol
que acobertava
um falso rei e uma rainha falsa.
Sob as rosas mornas
onde os cacos se devoravam
e a pressa dos suicidas
apregoava encantamento,
os cântaros vertiam
beijos de proveta
sobre a fenda pretendida.
Avolumavam-se outras fomes
e o ritmo da porfia
consagrava-se.
E ao som do tilintar dos dentes
nas bordas da taça de cristal,
voavam estilhaços de vinho
e uma nódoa de veneno
sobre a mesa esparramava-se.
Era um tempo de carnes secas
e verdes aparências.