07/02/2026

12 ( Manoel de Barros ) in livro "O Guardador de Águas" (1989), em 'Poesia completa: Manoel de Barros'. SP: Editora Leya, 2010.

 Que a palavra parede não seja símbolo 

de obstáculos à liberdade 
nem de desejos reprimidos nem de proibições na infância 
etc. (essas coisas que acham 
os reveladores de arcanos mentais) 
Não. 
Parede que me seduz é de tijolo, adobe 
preposto ao abdômen de uma casa. 
Eu tenho um gosto rasteiro de 
ir por reentrâncias 
baixar em rachaduras de paredes 
por frinchas, por gretas — com lascívia de hera.
Sobre o tijolo ser um lábio cego. 
Tal um verme que iluminasse.