Chove torto no vão das árvores.
Chove nos pássaros e nas pedras.
O rio ficou de pé e me olha pelos vidros.
Alcanço com as mãos o cheiro dos telhados.
Crianças fugindo das águas
Se esconderam na casa.
Baratas passeiam nas fôrmas de bolo…
A casa tem um dono em letras.
Agora ele está pensando —
no silêncio líquido
com que as águas escurecem as pedras…
Um tordo avisou que é março.