10/08/2025

ENTRE LENÇÓIS ( Djalma Filho )

 Envoltos pela névoa de linho os amantes se olham indescobertos

Envoltos por sins e temores os amantes se tocam cautelosamente
Envoltos por olhos ardentes os amantes se desejam misteriosamente
Envoltos no quarto fechado há um não sobrar de espaço para dois
As palavras sussurram delicadamente prazeres inconfessáveis e não ditos Mãos espalmadas em busca de espaço desafiando as leis da física Pernas, ora trançadas ora retesadas querendo quebrar todos os limites Bocas em beijos, em cada milímetro engolindo toda a possível resistência
Entre lençóis, os amantes se esquecem eternamente do tempo 
Para que tempo se, entre lençóis, eles vivem tão intensamente?
E bem cá entre nós – Para quê mais os lençóis?