Com sabor de loucura
vai contando os dedos
falando baixinho
para não machucar a chuva
Com sabor de loucura
vai cortando o cabelo
chovendo devagar
para não afogar a lua
Com sabor de loucura
desejo está engolindo
bebericando um pouco
toda a barra de dúvidas
Aromatizado com loucura
vai tirando suas roupas
dançando em penumbras
para o que já não a espera
em silêncio foi embora
roubou seu quarto, seu nome
e também os aplausos
Com sabor de loucura
desenha a sua mente
lagartos seus braços
serpentes seus seios
Vênus, a do monte sáurio
pássaros suas mãos
papoulas seus olhos
tucanos os pés
as nádegas são ondas
aluvião suas ideias
Quetzalcoatl sua língua
de barro suas pernas
cintura choques elétricos
Cala a boca, louca!
Sua pele, savana de mármore
para que o fantasma
esculpa sua assinatura
cuspa seu sêmen
Com sabor de loucura
vai escrevendo a história
com palavras mudas
cegas camisas de força
Com sabor de loucura
vamos todos pelo mundo
esmagando sorrisos
cavalos azuis.