I.
Eu te despi debaixo de uma macieira
suguei teus mamilos
e entre os pelos de teu peito
enredei a minha língua.
Vi tua carne crescendo
como uma papoula de rocha firme
e doce foi o teu beijo em meu beijo
como leite e mel
e tíbio foi teu suor sobre meu suor
como vinho pura. Oh meu Deus!
nunca afastes de mim este paraíso.
II.
Ao cair da noite
meu cabelo envolve
o corpo de meu amado
derramo meu perfume sobre seus pés
sua cabeça, sua boca
e o luar de seu dorso
e ele me pede mais.
Que ninguém o impeça
que ninguém se meta
nem mesmo a morte
que aguarda por ele.
III.
Entrei na casa de meu amado
e sobre suas pernas me sentei
suas mãos como hábeis aves
descascaram uma a uma as espigas
e juntos conhecemos que as melhores terras
sempre têm a seu lado
um rio ou as cicatrizes de um vulcão.
IV.
Deitada em meu leito
meu amado me encontrou
acariciou meu rosto
sugou meus peitos, meu clitóris
e sua língua falava em nenhum
– e todos os idiomas
lambeu minhas entranhas
cheias de terra e espinhos
sangraram suas veias.
Já sei que não é fácil me amar
– eu lhe disse.
Tampouco é fácil querer-me
– sua voz me respondeu
e retirou a coroa,
desatou seus pés
e novamente me conheceu.
V.
Acabo de me lembrar de ti, amado meu
e corri até o bosque à tua procura
gosto do brilho de teus dentes
o excesso de pelo em teu corpo
e sua quase ausência em tua fronte
gosto da fome de tua boca
da força de tuas garras
e do cheiro de teu sêmen.
Por isto retorno sempre
para devorar teu coração.
VI.
Meu amado se foi
doente de amor estou
recordo seus amores
mais do que o vinho
recordo seus sabores
mais do que pão e trigo.
Alguém lhe diga que volte já
pois eu o busco nua
por toda a cidade.
VII.
Teus beijos não vêm, amigo meu
e as orquídeas têm ainda teu nome
apressa-te a regressar
que outros beijos poderiam apagá-lo
embora eu não queira
Ainda chove fogo sobre Bagdá.
