Palestina seu nome
pesa
arde
flutua
no gelo da tempestade.
Desaparecem tua extensão
encolhem tua silhueta
reduzem teu mapa original,
a ignomínia aumenta,
também sua imensidão.
Como esquecer teu sangue
nos olhos do terror
no grito do nada
na janela da dor.
Como se esquece o veneno
a pedra, a bala, a mentira
no meio do horizonte
nas margens da orfandade.
Palestina
tua boca em meus olhos
tua infância em minhas filhas.
Em minha mente
a memória da noite
do sal, do orvalho.
Invencível
resistência
o mundo teu.
Cairão a teus pés
a cobra com duas ou mais cabeças
as paredes, as prisões, os holocaustos
a bota que esmaga o ramo de oliveira
Palestina teu nome
tão profundo quanto Honduras
– tão terra
arrebatada
aos pedaços aos rasgos às patadas
onde a esperança
bem poderia chorar no vale de teus lírios.