A luz cega mais do que a sombra
seu mistério reduz a condição humana.
Não o vemos. Como não vemos o olho lançando seu vazio
porém ele o leva cuidadosamente a seu cansaço
e descerra a cortina para economizar luz
e já confiante no silêncio de sua sombra
como uma imagem carente de seu processo,
como uma amante de seu quarto escuro,
rouba a umidade do barro
abandona-se a um desejo líquido
corre sem dizer a ninguém o que roubou do orvalho.