Sou forte como as pedras
quando cedem às Águas.
Moldo-me no vento das substâncias,
nos silêncios que se desenham nas ondas.
Sou forte como as asas dos pássaros,
como as pernas delicadas de um flamingo:
sou aquela cor que lhe grita no corpo
algo desfeito de sutilezas.
Sou forte. Sou brava.
Mas me dobro em entranhas miúdas
e meu sangue é cheio de esperas,
como as minhas lágrimas.
Sou forte como aquela flor
que verga sob o vento grave.
Sou aquela flor que verga
para guardar no pólen
o seu futuro perfume.