O trem desapareceu,
nunca mais foi visto,
só o apito percorre
o trilho do ouvido,
vai e vem intermitente,
agulha a cerzir espaços,
esgarçados lodaçais
do esquecimento:
o ontem ressurgindo
no ritmo de espasmos,
luz cortando sombras
no túnel do pensamento,
ouvido inconsciente
de quem até hoje sente
e carrega uma estação
