Quem apaga a guerra dentro de mim
e me empresta um pouco de esquecimento?
Quem redefine minha noite
e a dos rebeldes mais eminentes embaixo dos destroços?
Quem devolve nossos passos às calçadas
e devolve a elas seus nomes?
Há alguém que se atreva a beliscar minha bochecha
diante da falta de sono e da fúria do bombardeio?
Alguém aqui corajoso o bastante
para amaldiçoar a guerra escondida em nosso pão?
Alguma janela onde eu reúna as nuvens do fim do dia
e impeça a noite de dar os primeiros passos?
É possível comprar uma língua
e um coração tranquilo?
Quem sabe assim eu possa falar da carnificina
ou apagar, talvez,
o fogo da guerra dentro de mim.