Para reproduzir o donaire sem par
"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
15/02/2026
MANCHA ( Manuel Bandeira ) in A Cinza das Horas; 1917
VOLTA ( Manuel Bandeira ) in A Cinza das Horas; 1917
Enfim te vejo. Enfim no teu
CONFISSÃO ( Manuel Bandeira ) in A Cinza das Horas; 1917
Se não a vejo e o espírito a afigura,
TREM DE FERRO ( Manuel Bandeira ) in Estrela da Manhã, 1936
Café com pão
MATÉRIA DE POESIA ( Manoel de Barros )Gramática Expositiva do Chão (Poesia Quase Toda) Ed.: Civilização Brasileira; 1990.
Todas as coisas cujos valores podem ser disputados no cuspe à distância servem para poesia.
O homem que possui um pente e uma árvore serve para a poesia.
Terreno de 10X20, sujo de mato – os que nele gorjeiam: detritos semoventes, latas servem para poesia.
Um Chevrolet gosmento Coleção de besouros abstêmios, o bule de braque sem boca são bons para poesia.
As coisas que não levam a nada tem grande importância, cada coisa ordinária é um elemento de estima, cada coisa sem préstimo tem seu lugar na poesia ou na geral.
O que se encontra em um ninho de João Ferreira, caco de vidro, grampos, retratos de formatura servem demais para poesia.
As coisas que não pretendem como por exemplo pedras que cheiram a água, homens que atravessam períodos de árvore se prestam para a poesia.
Tudo aquilo que nos leva a coisa nenhuma, o que você não pode vender no mercado, como por exemplo o coração verde dos pássaros serve para a poesia.
As coisas que os líquens comem, sapatos, adjetivos, têm muita importância para os pulmões da poesia.
Tudo aquilo que a nossa civilização rejeita pisa e mija em cima serve para poesia.
Os loucos de água e estandarte servem demais.
O traste é ótimo, o pobre diabo é colosso.
Tudo que explique o alicate cremoso e o lobo das estrelas serve demais da conta.
Pessoas desimportantes dão para poesia.
Qualquer pessoa ou escada, tudo que explique a lagartixa de esteira e a laminação de sabiás é muito importante para a poesia.
O que é bom para o lixo é bom para poesia.
O importante sobre maneira é a palavra repositório. A palavra repositório eu conheço bem, tem muitas repercussões como um algibe entupido de silêncio sabe a droços.
As coisas jogadas fora têm grande importância- como um homem jogado fora.
Aliás, é também objeto de poesia saber qual o período médio que um homem, jogado fora pode permanecer na terra sem nascer em sua boca as raízes da escória.
As coisas sem importância são bens de poesia.
Pois é assim que um Chevrolet gosmento chega ao poema e as andorinhas de junho.
13/02/2026
ALMA NOVA ( Fernando Abreu & Zeca Baleiro )
Sempre que te vejo assim
11/02/2026
BEBO UMA BICA POR DIA ( Raquel Nobre Guerra )
Bebo uma bica por dia, às vezes bebo-a fria
NÃO FOI PRECISO MUITO ( Raquel Nobre Guerra )
Não foi preciso muito para que a cidade
09/02/2026
Por Célia Moura, in "No Hálito de Afrodite"
É na astúcia dessas mãos feitas de linho
08/02/2026
LOUCURA DE AMAR ( Natália Nuno )
Quero decifrar cada momento
SONHOS QUE ME NAVEGAM ( Natália Nuno )
Sonho que sou menina
PALAVRAS SOLTAS ( Natália Nuno )
Amar-te é meu segredo
LOUCURA ( Natália Nuno )
mais um dia
LINHA A LINHA ( Natália Nuno )
Perscruto as profundezas
ARREBATAMENTO ( Natália Nuno )
ante o teu corpo junto ao meu vou sonhando
SONHO DE SAUDADE ( Natália Nuno )
pelo meu corpo passeiam
FESTIM ( Natália Nuno )
no mar do teu corpo me perdi
inteira diluí-me na tua corrente
no furor da rebentação
vales distantes percorri
entre o prazer e o sonho
e os aromas da paixão
o sonho me enlaçou como uma hera
em horas de delírio e rendição
e o amor me rodeou com sua dança
em impulsos vorazes de desejos
assim prossigo inteira nesse teu mar
neste sonho que é tão meu e teu
prisioneira dos teus beijos
do nosso amor, nosso festim
certeza de ti e de mim.
na loucura dos instantes
mesmo aqueles que não tive
fui água amanhecida
sedenta
como riacho de verão
nos dias que se apagavam sobre si
numa lânguida lentidão
com saudade de ti.
ESTE NOSSO AMOR ( Natália Nuno )
Dá-me o que tens
recupera o fôlego
eu sou o rosto da fogueira
o vento do desejo
e às vezes da saudade
cansa-te no meu corpo
que o tempo dos sonhos acabou
não esperes milagre
nem tão pouco eternidade
tudo acaba, já tanto se calou
dá-me o toque dos teus dedos
ouve os meus gemidos
labirintos de segredos
espevita o carvão,
ateia a chama
e eu serei o fogo
que não se vê mas sente,
a areia ardente escaldante
deste nosso amor.
ESTE É O POEMA ( Natália Nuno )
Este é o poema onde tu me despes
como se fosse tua,
onde me sinto nua e crua.
Da tua boca saem palavras loucas
estremecidas de ternura
e loucura,
e tuas mãos sem paragem
seguem p'lo meu corpo viagem.
E o teu querer actua
num ritual de ir à lua
e voltar.
Nada sei de ti.
Que sabes de mim?
Tu és apenas o poema que li,
o amor que não vai acabar
porque te quero tanto assim!
Deixo-me ir na lonjura,
na entrega, na emoção.
Viajo no teu corpo, banhada
numa corrente de mel
onde com ternura
dirijo a tua mão
que arrepia a minha pele.
Nos meus olhos desejos
na tua boca beijos.
De repente o silêncio
como se estivéssemos ausentes
Só nossos corpos ainda quentes.
Assim nos amávamos
enquanto o poema ía nascendo!
TRANSE ( Djavan )
Abra o seu coração
FLORES SEM NOME ( Affonso Romano de Sant'Anna ) in Textamentos, 1999
Estou amando essas flores, sem lhes saber o nome.







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