12/01/2017

ANTOLOGIA ( Carlos Drummond de Andrade )


Felizmente existe o álcool na vida.
Uns tomam éter, outros, cocaína.
Eu tomo alegria!
Minha ternura dentuça é dissimulada.
Tenho todos os motivos menos um de ser triste.
Estou farto do lirismo comedido.
Como deve ser bom gostar de uma feia!
Pura ou degradada até a última baixeza
eu quero a estrela da manhã.
 Os corpos se entendem, mas as almas não.
 Bendita a morte, que é o fim de todos os milagres.
 *Carlos Drummond de Andrade, In: Poesia Errante, 1988.