04/01/2017

NOITE  MAGA (Denise Emmer)
Andei contigo nas dunas
Nas páginas das areias
Pensei avistar sereias
Mas eram sóbrias escunas.

E ao perguntar quem eras
O mar moveu seus navios
Olharam-se as éguas no cio
Voaram fêmeas sem sela.

Enquanto me assombravas
Os sais trocavam segredos
Abraçava-me com medo
Torpor, o que me falavas.

Então comecei morrer
Por tua mão de veludo
Que me levava entre surdos
No tênue amanhecer.

Desmanches de beijo e vício
Aroma de folha e chuva
Teu sorriso atrás da curva
Na ponta do precipício.

Longe vai a noite maga
Em seu palácio estranho
Não te decifro és sonho
A povoar minhas águas.