02/02/2017

QUIETUDE (Bruno Barros)


Refinas a noite com estimada clareza,
Desembaçando a mente em opaco estado,
Invadindo-a sutilmente em leves passos,
Destilando no universo pensamentos rasos.

Lírico de movimentos estáticos,
És muda companhia aos velhos surdos,
Sendo ausente em alma ignorante,
E tortura fria de um forte amante

Racional de transparentes palavras,
Possuis por completo tudo em todo vazio,
Gigante invisível de beleza sentida,
Em simultâneos ares tua presença vivida

Não ficas mais que meia badalada,
Corres livre circulando em solidão,
Sem deixar poeira dos rastros teus,
Partindo sem hora, sem dizer adeus.

Diga-me para onde vais.
Silêncio.