07/05/2017

TUAS MÃOS SÃO QUENTES, MUITO QUENTES (Gilka Machado)


Meu corpo todo, no silêncio lento
em que me acaricias, 
meu corpo todo, às tuas mãos macias, 
é um bárbaro instrumento 
que se volatiza em melodias 
e, então, suponho, 
à orquestral harmonia de meu ser, 
que teu grandioso sonho 
diga, em mim, o que dizes, sem dizer.
Tuas mãos acordam ruídos 
na minha carne, nota a nota, frase a frase; 
colada a ti, dentro em teu sangue quase, 
sinto a expressão desses indefinidos 
silêncios da alma tua, 
a poesia que tens nos lábios presa, 
teu inédito poema de tristeza, 
vibrar, 
cantar, 
na minha pele nua.