02/06/2017

PENETRAÇÃO ( Raimundo Sturaro )

Segue na colina o pássaro púrpura,
Cospe seu atro lamento,
Sangue banha os lábios da criança
Trago nos braços o silêncio.

Da crepuscular síncope divina.
Em aflição contorce o medo
O significado reacende o circunspecto passo
Cada vez mais fundo mergulha cego.

A sua cabeça vaga na umidade serena.
Milenar tarde negra, incoercível desejo,
Esvoaça a irmã imensa da melancolia
Acaricia o rígido membro.

Uma nova ordem passa pelos arcos sinistros
Uma lágrima fecha-se sobre os corpos.
Antecede o vazio do amor que pensei ter encontrado
Posterior a morte de todos os sonhos.