01/04/2018

O CORPO ( Maria Teresa Horta )

Digo do corpo
O corpo:
E do meu corpo

Digo no corpo
O sítio e os lugares

De feltro os seios
De lâminas os dentes
De seda as coxas
O dorso em seus vagares

Lazeres do corpo:
Os ombros
As lisuras – o colo alto
A boca retomada

No fim das pernas
A porta da ternura
Dentro dos lábios
O fim da madrugada

Digo do corpo
O corpo:
E do teu corpo

As ancas breves
Ao gosto dos abraços

Os olhos fundos
E as mãos ardentes
Com que me prendes
Em súbitos cansaços

Vício de um corpo:
O teu
Com o seu veneno

Que bebo e sugo
Até o mais amargo
Ao mais cruel grau do esgotamento

E onde em silêncio
Nado
Em cada espasmo

Digo do corpo
O gozo
Do que faço

Digo do corpo
O uso
Dos meus dias


E a alegria
Do corpo sem disfarce