Digo do corpo
O corpo:
E do meu corpo
Digo no corpo
O sítio e os lugares
De feltro os seios
De lâminas os dentes
De seda as coxas
O dorso em seus vagares
Lazeres do corpo:
Os ombros
As lisuras – o colo alto
A boca retomada
No fim das pernas
A porta da ternura
Dentro dos lábios
O fim da madrugada
Digo do corpo
O corpo:
E do teu corpo
As ancas breves
Ao gosto dos abraços
Os olhos fundos
E as mãos ardentes
Com que me prendes
Em súbitos cansaços
Vício de um corpo:
O teu
Com o seu veneno
Que bebo e sugo
Até o mais amargo
Ao mais cruel grau do esgotamento
E onde em silêncio
Nado
Em cada espasmo
Digo do corpo
O gozo
Do que faço
Digo do corpo
O uso
Dos meus dias
E a alegria
Do corpo sem disfarce
