Colho
o mel dos teus olhos
tecido na minha ternura impaciente. Lavo-te os dias
e deixo-os incólumes
nos seus traços de carvão certeiro. Deixo-te a angústia tão nítida como a desenhaste
o fio do lápis sem fim, nem semanas
deixo-te os meses, os anos
com os traços fortes intactos. Só levo um pouco do mel
que vais derramando
sedento
pedindo timidamente
o seio.
