Hoje
eu quero adentrar
na vagina úmida
da palavra sexo.
Quero que bocas,
seios, pênis
signifiquem
exatamente o que são.
Lambê-las todas.
Hoje
não meto metáforas,
metonímias, eufemismos.
Ainda que haja
de leve
uma metalíngua,
esta poesia
apenas penetra
o literal.
Hoje
vou chupar a palavra pênis
em cada letra, pingo e gota,
até ela ficar bem feliz.
Só hoje,
nada de sutileza.
A poesia
vai dizer safadezas
em seu ouvido.
Escrever será um prazer.
E no clímax,
no ápice da palavra clítoris,
a poesia vai gozar.
E você vai gostar.
