
Este amor que me rasga
de lés a lés
de fecundar
traz-me nos olhos
um oceano,
e são minhas as mãos esplêndidas,
abertas, loucas
no bocejar das colinas.
Este amor que de noite
se entrelaça em teus dedos
cintilantes de menino
sabe-me a amoras
e vinho moscatel
porém é absinto.
Em tuas mãos
me doei menina,
adormeci mulher.
Essas mãos de archote
que me incendiaram a alma,
o pensamento
os dias
e os seios fartos.
Este amor
onde perdendo me fui encontrando
em troca de nada
sempre me rasgando
devorada numa angústia infinita de mim,
devastada em ébrias promessas
abandonando-me em todos os risos
num pedestal fecundado de miséria,
este palco imenso da (tua)vida
onde me ergueste,
onde morri.
É por aí que eu vou meu amor
alheia, anónima
indiferente ao voo das aves
ao odor da terra em minhas mãos
e ao pranto de Deus.