05/05/2025

Gilka Machado. In: "Mulher Nua", 1922.

 Amo o Inverno assim triste, assim sombrio,

lembrando alguém que já não sabe amar;
e sempre, quando o sinto e quando o espio,
julgo-te eterizado, esparso no ar.
Afoita, a alma do Inverno desafio,
para inda te querer e te pensar
para gozá-lo e gozar-te, que arrepio!
que semelhança em ambos singular!
Loucura pertinaz do meu anelo:
emprestar-te, emprestar-lhe uma emoção,
pelo mal de perder-te e querer tê-lo
Amor! Inverno! Minha aspiração!
quem me dera resfriar-me no teu gelo!
quem me dera aquecer-te em meu Verão!