
e sibilante e lisa
se faz paixão, serpente, e nos habita
(hilda hilst)
não adianta chamar
no escuro
no silêncio
embaixo das cobertas
não adianta crer na palma
no tarô, no encontro de alma
ninguém socorrerá
o grito
gemido sem gozo
não se verá
essa imensa serpente
temida e tímida
que traz no ventre
ele não escutará o chamado
do corpo, do veneno
esse grito
será só teu
esse amor doente
talvez a pele quente
renuncie
sublimando, grudando
no pior canto da cidade
gotas desse furor sujo
e uma noite
te encontrar
bêbado
mijando no muro
mão ao alto
buscando apoio
nessa gordura
de nós
respirando o fundo
descerá meu abismo
encarando nossa perversão
muito aninhada em meu peito
assistindo
visões prematuras do passado
o cheiro de sol
os sons
olhos virados ao alto
retornando verões
todo o estrago que é me ter do lado
assistirá a tormenta do corpo
acusando ausências
regurgitando fantasias imundas
enquanto o pau de fora
corre o mesmo risco do meu coração
naquelas tardes
destroçado