A noite na cidade é escura,
"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
31/07/2025
O ÚLTIMO POEMA ( Heba Abu Nada )
NÃO APENAS PASSANTES ( Heba Abu Nada )

VULGÍVAGA ( Manuel Bandeira )
Não posso crer que se conceba
by Célia Moura
O sangue das palavras
30/07/2025
ELEGIA OBSCENA ( Antônio Carlos Belchior )
Meu bem
Admire o meu carro e goze sozinha
Enquanto fumo um cigarro
Mas cuidado, atenção
Oh! Oh!
Não vá quebrar mais nenhum coração
Podemos até nos deitar
Mas você saberá
Saberá que será
Puro flertar, paraíso perdido
Meros toque de Eros, um sarro, um tesão
Oh! Oh!
Bad bed bed times
Os teus peitos no jeito
E eu pego e me deleito
Na flor do meu umbigo
Oh! Oh!
E ainda ponho a camisa
Que avisa precisa
I can't get no satisfaction
Oh! Oh!
Bad bed bed times!
Onde os puros saberes
Onde a fúria de seres humanos
Contra a ira dos deuses
Que cena obscena pedir, pedir
Por favor nada de amor
I can't get no satisfaction
28/07/2025
QUEIMADURA ( Aleyda Quevedo Rojas )
O desejo. O que deseja. O desejado. Desejando-te. A beleza efêmera. A tríade do dano, imersão e fragilidade que queima a pele. O deseja-te que escraviza os queloides do meu eu. São os meus estados que você pode ver antes de iniciar qualquer exercício de afundamento. Erros que as pessoas criticam. Cicatrizes de pesado relevo. São estados do cérebro que arrastam à desembocadura do tédio. Tratas de abandonar essa queimadura extensa sobre o corpo que te marcou. Procuras falésias e terraços altos. Pedras lisas. Adagas e punhais. O que se deseja é voraz. A pessoa que deseja perde força e cobiça. O desejo sempre no tempo presente. Foi para Sócrates e para Safo ainda é. Eros Criador.
(tradução: Floriano Martins)
DESEJO (Aleyda Quevedo Rojas) (tradução: Floriano Martins)
Dizem que Safo saltou do vazio do penhasco de Leucas. Ela mordeu os lábios e uma torrente elétrica acompanhou seu corpo quente e nu. Sem paixões, pedras ou catástrofes de dor, ela mergulhou no mar à procura de si mesma. Longe do fulgor do desejo, longe do lugar da dor amarga e doce, mel indefinível, mel azedo.
RÉQUIEM (Carmen Ollé) (tradução: Floriano Martins)
É difícil montar o quebra-cabeça
ou algo fora da caixa
MINA E O CONDE DRÁCULA (Poema de inverno) (Carmen Ollé)
A noite é longa, a droga amarga
Doze da noite e já são três copos de vodca.
O PROCESSO E A CONDENAÇÃO ( Carmen Bruna )
As flores de teus olhos
alarido na pedra
O PARTIDO DOS DEMÔNIOS ( Carmen Bruna )
“Conduz teu carro e teu arado
Meus desejos não querem ser negados
( by Joyce Mansour ) ( tradução: Floriano Martins )
Que meus seios te provoquem
NUA ( Joyce Mansour ) ( tradução: Floriano Martins )
Nua
EXORCISMO ( Sílvia Barros )
Este é um exorcismo
ESTRIAS ( Sílvia Barros )
Esgarçada
DISCLAIMER ( Sílvia Barros )
Este é um livro de poemas
VITRAIS ( Rosana Batista Almeida )
Vôo alto dentro do palácio de vitrais.
27/07/2025
TERRA DE SONHOS ( Almir Sater - Renato Teixeira )
A garça agora voou, se foi
Que parecia um planador
E num corixo eu lavei meus pés
De camalote navegador
Quando o fundão do mato se amorenou
Então se ouviu o canto do zabelê
E tudo tem a ver com o pôr-do-sol
Que é quando se estende a rede em dois pé-de-pau
E a noite vem pelo Pantanal
Quando o dia desativou
A noite disse agora eu sou
E veio toda com seu andor
De lua nova cheia de amor
Noite, suave noite dos sonhos meus
Noite, mãe sigilosa do pererê
Noite que a todos têm porque não se vê
A mesma noite infinita, noite astral
Amanhecendo pelo Pantanal
Quando o sol brilhou, pousou uma borboleta no meu chapéu
Só uma estrela sobrou no céu
Azul cintilante, um azul sem véu
Dia de tudo ter ou de nada ter
Desde cedinho horas pra se viver
Dia para plantar, dia pra colher
O mesmo dia de sempre, o velho sol
Se esparramando pelo Pantanal
26/07/2025
DANÇARINA ESPANHOLA ( Rainer Maria Rilke )
Como um fósforo a arder antes que cresça
EU DURMO COMIGO ( Angélica Freitas )
eu durmo comigo / deitada de bruços eu durmo comigo / virada pra direita eu durmo comigo / eu durmo comigo abraçada comigo / não há noite tão longa em que não durma comigo / como um trovador agarrado ao alaúde eu durmo comigo / eu durmo comigo debaixo da noite estrelada / eu durmo comigo enquanto os outros fazem aniversário / eu durmo comigo às vezes de óculos / e mesmo no escuro sei que estou dormindo comigo / e quem quiser dormir comigo vai ter que dormir do lado.
A TERRÍVEL HISTÓRIA DA CONCUBINA DO LEVITA ( Adriane Garcia ) in A Bandeja de Salomé, Caos & Letras, 2022.
Você nasce
Pode ser um bom negócioTe deixar crescerVocê cresceSeu pai te vendeVocê é concubinaE a tudo obedeceMas sob maus tratosVocê voltaPara a casa do pai(você não tem ninguém)Seu senhor te buscaE seu pai se alegraCom a transação válidaSeu senhor te levaE no caminhoNa casa em que se hospedamInvasores queremO corpo do senhorMas ele te oferece:É carne boaEu mesmo a amacioTodos os dias(e eles te moem)Até a morteEntão seu donoRevoltadoRetalha seu corpoEm doze partesE distribuiÀs doze tribosDo verdadeiro deusPara mostrar a elasQue é preciso uma guerraQue ensineDefinitivamenteA respeitar
PASSAGEM PARA O INORGÂNICO ( Ruy Proença )
uma folha se desgarra da árvore e cai
by Rainer Maria Rilke
Ao escrever-te, saltou seiva
25/07/2025
QUASE ( Mário de Sá-Carneiro )
Um pouco mais de sol – eu era brasa,
MARABÁ ( Antônio Gonçalves Dias )

Eu vivo sozinha; ninguém me procura!














