27/07/2025

TERRA DE SONHOS ( Almir Sater - Renato Teixeira )


A garça agora voou, se foi

Que parecia um planador

E num corixo eu lavei meus pés

De camalote navegador


Quando o fundão do mato se amorenou

Então se ouviu o canto do zabelê

E tudo tem a ver com o pôr-do-sol

Que é quando se estende a rede em dois pé-de-pau

E a noite vem pelo Pantanal


Quando o dia desativou

A noite disse agora eu sou

E veio toda com seu andor

De lua nova cheia de amor


Noite, suave noite dos sonhos meus

Noite, mãe sigilosa do pererê

Noite que a todos têm porque não se vê

A mesma noite infinita, noite astral

Amanhecendo pelo Pantanal


Quando o sol brilhou, pousou uma borboleta no meu chapéu

Só uma estrela sobrou no céu

Azul cintilante, um azul sem véu


Dia de tudo ter ou de nada ter

Desde cedinho horas pra se viver

Dia para plantar, dia pra colher

O mesmo dia de sempre, o velho sol

Se esparramando pelo Pantanal