A noite é longa, a droga amarga
Mikel Erentxun
Doze da noite e já são três copos de vodca.
O africano que serve as bebidas me detém junto ao banheiro
E me beija na boca
Minha vontade maca zero quilômetros,
Eu me deixo ir e não protesto.
Naquela hora qualquer beijo tem o gosto
Do que não se passa no tempo
Eu me imagino sentada no deserto.
Sentada sozinha,
As pessoas no bar bebem sem piedade.
Uma mulher de trinta anos cumprimenta meu vizinho à mesa.
Uma vez eu comecei a chorar em um canto da sala
Quando eu tinha quinze anos, eu tinha perdido Deus
E ele estava perseguindo um sacristão,
Meu platonismo era sincero
Agora eu odeio que as coisas não saiam para mim
Como eu quero.
Ao meu lado, Mina é o prazer, tento de novo e de novo,
Ela sucumbe porque não espera nada da vida
E eu a ensino a ser sutil
A partir de cem horas em seu carro velho.
Amo seus quadris onde eu finalmente deito como
Em uma baía quente ao sol, eu digo a ela,
E eu, que odiava o sol, também os amo.
Agora a volúpia é algo novo para ela,
A cobra passa a noite toda assobiando meu nome
E o veneno do ciúme a deixa mais bonita.
Como ela sabe o que é isso, isso a atrai, para o bem
Ou para o mal, como vodca,
Seus olhos de panturrilha não desfalecem mais
Raiva de zelo e fome como a de uma onça
E ela corre em seu carro velho a cem por hora
Para os espantalhos que atingiram o capô como se tivéssemos
A praga, ela e eu, praga abençoada na qual ela
Meu Senhor, admita
Não pense em Brooke Shields, sussurro em seu ouvido.
Meio-dia no bar
Não em Madonna
Quando ris, pareces com uma adolescente em seu uniforme azul
E uma boina azul e uma blusa branca engomada
Só isso imposta, sabes? Só isso.
(tradução: Floriano Martins)