16/07/2025

by Célia Moura

 Porque de vez em quando

a dor,
dói como se fôssemos a pele um do outro,
estremece no silêncio
rasgando todas as madrugadas onde nos salvei.
Que nunca se olvide de ti
o quanto te amei,
o quanto te amarei
esta espécie de condenação feliz
tão à parte de mim,
porém tão minha.
Porque de vez em quando
é preciso sentir o rasgar do sangue,
saborear de novo o odor a cravos e jasmim
ter-te dentro de mim
sem te ter.
Saber permanecer dádiva, decreto e loucura
nesses teus olhos de miúdo sem idade,
renascer Amor
sentir-te raiz.