08/07/2025

AZUL ( Célia Moura )

Nos búzios que deixaste na enseada qual lembrança

Ensaio valsas.
Nos beijos que não deixaste
Invento amor.
Nos estilhaços do meu corpo feito ventre de mulher
Imagino o meu filho.
Na enseada do meu corpo
Tudo corria devagar.
Nesse tempo eu cantava para o mar
E ainda beijava o firmamento de todas as pequenas dádivas
Que a poesia sempre me ensinava.
Entre búzios e conchas, simplesmente te contemplava
E tentava descobrir outras conchas mais
Sendo feliz até nos temporais.
Mas, na praia onde tudo ainda corre devagar,
Eu queria ver-me com fôlego e coragem de chegar plena de mim
Quiçá cantando de novo para o mar
Quiçá orando pela minha impotente condição humana
Agradecendo o amor que tive em plena Primavera de nós.
Inventar um filho e com ele construir castelos de areia,
Brincar com as ondas, apanhando búzios e voltar a descobrir
Conchas novas.
Ensaiar um poema maior feito de beijos e palavras sábias
Para te emoldurar o rosto e a memória, meu amor
Num hino feito de luz e de azul.