
Na práxis de então
bem pouco se aprendiacom as vagas teoriasda chula sacanagem.Quase sempre havia alguémque não gozavae se perdiano meio da viagemHoje se sabe,de Kama Sutra a Sadepassando de Ovídio à Barabarelapor dentro de Vinicius de Morais,que amar é arte requintadae há demelhor acontecer a quem mais sabe.
Começa-se a bolina pelos olhos,
ou pela planta dos pés
que tanto faz
mas que se o faça como quem não quer
chegar além do simples arrepio.
Que se tateie muito de leve e mansopor cada canto da pele o corpo inteiroe sempre no sentidoinverso ao da penugem.
Bem lentamente caía nos declives
e nos valados mais fundos e escondidos.
Teça, com os dedos leves, pelo a pelo,
roçando o eriçando cada uma
das papilas digitais —as mais sensíveis—
desde os agudos picos aos mais túmidos
e úmidos abismos,
como se cada polpa de dedo fosse língua.
Não se abandone então.Não perca o tino,que o pássaro do espasmo é fugidio,e cansa de voarnas brumas da emoçãodo ser em cio.
Daí por diante
passe a refletir
frente dos espelhos,
e crie — a dois ou a dez —
todas as formas de ir
e posições
passíveis das possíveis
contorções.
Prossiga nos caminhos da surpresae não se escandalizese a resposta vir maior que a empresa.Pois que, por suas mãosos deuses são,e não se sabe ondeexplodindo seus próximos desejos.
E tendo tudo isto posto,
tome todo tento à tentação
de sua companheira.
E, se tiver força e sã ciência,refreie os seus ginetes,sorva a seiva que lhe molha os lábios,inspire fundo,até que a égua úmida, esgotada,estanque o seu galope,e se abandone, como quem se esqueceda própria servidãoda vida e morte,na relva dos lençóis.E então comece.