De tempo e traça meu vestido me guarda.
Adélia Prado
Meu corpo não respeita as estações.
Chove grosso em cada dobra da cidade
E eu trago comigo um vestido de verão intempestivo.
Meu corpo não cede e, vivo, arde no ligeiro das rendas,
nas maresias que lambem o ar.
Meu corpo não cede.
E o vestido que me desveste neste calor temporão
é todo bordado na minha pele:
