Negro crepúsculo mergulhou em meu avesso
e na goela de minhas tempestades
o pó de meus céus de vidro veio ao chão.
O tempo? Findo; só meu silêncio é o pêndulo
– compasso de minhas contradições.
Desenhei com cuidada distância
no olho fechado do tempo meu esperar de nada
mas mesmo para o quase nenhum esperar de nada
só haverá a esterilidade muda das poças d’água.
Fui castigada com a impossibilidade de meus voos
e da antiga competência de minhas asas, nada.
Mas não há revolta. Fico então resgatada
com meu prazer amargo de existir não existindo
