04/09/2025

CHUVA LENTA (Gabriela Mistral) Tradução de Ruth Sylvia de M. Salles

Esta água medrosa e triste,

como criança que padece,

antes de tocar a tierra,

desfalece.

Quietos a árvore e o vento,

e no silêncio estupendo,

este fino pranto amargo,

vertendo!

Todo o céu é um coração

aberto em agro tormento.

Não chove: é um sangrar longo

e lento.

Dentro das casas, os homens

não sentem esta amargura,

este envio de água triste

da altura;

este longo e fatigante

descer de água vencida,

por sobre a terra que jaz

transida.

Em baixando a água inerte,

calada como eu suponho

que sejam os vultos leves

de um sonho.

Chove… e como chacal lento

a noite espreita na serra.

Que irá surgir na sombra

da Terra?

Dormireis, quando lá foram

sofrendo, esta água inerte

e letal, irmã da Morte

se verte?