Nada restou de ti
Senão o eco dolorido dos teus passos
Pelo antigo soalho,
E é tanto (meu) amor
Que essa profana que em mim habita
Sai rua fora
Incendiada de instantes
Rebolando nas famintas coxas,
Trôpega, a saudade.
Mas eu que sou ninho de andorinha
Murmúrio de vento aninhado
Beijando beirais
Permaneço lá
Exilada à velha casa
Porque me nasceste colina
Entre os seios
E lírios nos cabelos
Não, nada restou de ti
Senão esta dilacerante embriaguez de Vida
Que me revolve e renasce
