17/09/2025

CÉLIA MOURA , in "No Hálito de Afrodite"

 Nada restou de ti

Senão o eco dolorido dos teus passos
Pelo antigo soalho,
E é tanto (meu) amor
Que essa profana que em mim habita
Sai rua fora
Incendiada de instantes
Rebolando nas famintas coxas,
Trôpega, a saudade.

Mas eu que sou ninho de andorinha
Murmúrio de vento aninhado
Beijando beirais

Permaneço lá
Exilada à velha casa
Porque me nasceste colina
Entre os seios
E lírios nos cabelos

Não, nada restou de ti
Senão esta dilacerante embriaguez de Vida
Que me revolve e renasce
Todo o sangue nas artérias.