14/09/2025

UM BUCHO TODOS OS BUCHOS ( Carla Diacov )

 pelos dias índios

já não ando

menstruo

 

menstruar pela orla

nos dias terríveis

menstruar pelas ordens

onde já não ando

menstruo

com o bucho para fora da armadura

o volume mais língua que a distância

um bucho todos os buchos

por nomenclatura norte meu

norte

o bucho

e a despeito das delicatessens

o bucho

 

é pobre pobre o homem de bem

leva a piada na ponta do sexo

o galho mais distante da língua

homens

uns como mulheres

umas feito homens de bem

 

já não ando bem das bolas

gravo beijos nas ruas no passeio

me perdoe se sujo seus brancos

mas é que menstruar acomete sem querer

eu disse

por imposição apócrifa

sim

é o bucho que sangra

eita bucho

quereria parir uma cabra de três cabeças

mas sangra

 

menstruo

e já não ando

por imposição apócrifa

menstruo

como que embaraçada de todas as onças

de tudo que é índio

de tudo que é quando e monstro

com a pança para fora da armadura

cheia de novelas com pombos

a consolação do homem de bem

a comiseração do homem de bem

perseguidos

coitados são todos os homens de bem

 

é imperativo sangrar a pomba

disse o homem de bem

também eu

que já não ando bem

mas é que mensurar acomete de dedos e quebra o quando

 

eu disse

por liquidação

já não afio a régua

menstruo

uns dias turvos como o lado de fora

umas noites de meu bem

umas com passos menos

umas com laços anêmicos

umas feito os dias incultos

menstruar para sair e voltar

nos dias terríveis

menstruar pelos canais das sombras

para fora da armadilha

o bucho

o aparato mais índio que a distância

a distância feito minha pança

respira em quandos

eita bucho

e já não anda bem