Ouves aquela música rolando alvoroçada e crespa?
Parece um olho dágua brilhando, tremendo,
escorrendo pelas pedras polidas dos barrancos
Água morena, morna, idílica, marchando pelos caminhos,
molhando os pés dos viajores,
fecundando as terras enxutas,
tateando ao pé dos troncos idosos
pela preguiça das noites mudas que não vivem?
ouves aqueles sons?
Aquelas vozes que vêm sofrendo na meditação dos séculos,
que vêm sonhando no ascetismo do tempo e das horas,
que vêm brincando na corda de luz dos dias?
Ouves aquela música? Tu não te lembras de nada?
Tu não te lembras de mim quando fui ela
e tu foste o entusiasmo creador de quem a escreveu?
Tu não te lembras, depois desse cântico de beduíno,
que fizeram de mim, que me tornei mulher,
