Conservo o verão para que não me deixes
Este verão de folhas a se abrir nas mãos
E em ti farei habitar as correntezas
por que fluem as horas em cardumes de estrelas.
Conservo o verão para que não te percas
E a inocência das chuvas há de banhar teu rosto
E plantarei as palavras ainda úmidas e tersas
sobre os campos e os ninhos. E que floresçam.
Conservo o verão para que não me esqueças
sentada numa cadeira a contemplar as tardes
como se fossem navios ancorados na surpresa
