É bom, é brabo
"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
31/10/2025
FREVO DIABO ( Edu Lobo & Chico Buarque )
VENTO BRAVO ( Edu Lobo / Paulo César Pinheiro )
Era um cerco bravo, era um palmeiral,
ÁGUA ( Jatobá / Xangai )
A grota inteira tá chorando de saudade
28/10/2025
CHORO! ( José Gomes Ferreira )
Ninguém vê as minhas lágrimas, mas choro
27/10/2025
CÓLICAS ( Veriana Ribeiro )
entranhando-se em minhas vísceras
costurando meu corpo ao avesso
a dor que eu sinto
vem de várias gerações
mulheres
meninas
senhoras
não conheço as mulheres
da minha família
suas histórias se perderam
nos quilômetros e anos que nos separam
mas todas as nossas histórias
são sempre iguais
de bruxas queimadas
e mulheres que correm com os lobos
deixo que seus fantasmas
sussurrem no meu ouvido
as cantigas perdidas pelo tempo
e façam os chás e banhos
que vão curar as minhas feridas
e as dores de todas as outras vidas
que vivem dentro de mim
e me comem por dentro
entranhando nas minhas vísceras
costurando meu corpo ao avesso
Por Anum Costa
ainda que eu revelasse
a ti meus segredos sórdidos
ainda que despisse meu
íntimo
ante tua face
e a ti
mostrasse minhas fantasias
e se te segredasse meus medos todos
os erros e os enganosos
acertos
que depois se revelaram
equívocos
e ainda que te confessasse que meu
pensamento não
acompanha esta cultura
que desmatou meu corpo físico
meu imaginário
e ainda que em teu ouvido soprasse
meu tesão minhas aspirações
sonhos expectativas
se eu gritasse que
nunca esqueci
quem me amou um dia sequer
nem quem me feriu
e te contasse como quem narra um conto
que gosto de estar nua na frente de outros sem
qualquer pretensão sexual
se eu disser que odeio a expressão
ter sido
porque soa sempre impossível
confirmando a insignificância
humana frente à natureza
se eu me definisse
explicasse
dissecasse
traduzisse
descrevesse
ainda que eu tentasse ser
só sou em trânsito e
por isso mesmo jamais saberemos
eu e tu
quem sou eu
INTIMIDADE ( Andressa Leonardo )
seguro a página com força
miro a dedicatória
aprecio a epígrafe
passo pelo prefácio tímido
vou descendo o sumário desalinhado
toco as linhas confluentes
desvendo a primeira parte
íntima
sinto a saliva de cada célula viva
no meio, um
trava-língua
adentro
l e n t a m e n t e
nas miudezas
me envolvo
o coração
queima
a respiração enfraquece
[a gente se molha]
a folha desmancha
– rasga no final.
DISTÂNCIA ( Carmen Verde Arocha ) tradução: Gladys Mendía
A mulher nasce com o apetite na boca;
TEM UM CORPO NO MEU POEMA ( Junia Lyrio )
Tem um corpo no meu poema
que não sai da cama
que está mal das pernas e levita
evita as parafernálias da euforia em voga
as virtualidades
essas coisas todas, inertes
sem ossos, sem carne
sem sangue nos olhos
beijos molhados e sonoridades do amor.
Tem um corpo no meu poema
que não sai da cabeceira
que está mal do coração e palpita
habita as palafitas das moradias precárias
as aquosidades
essas coisas todas
úmidas
sem argamassa, sem paredes
sem chão sob os pés
passos longos e medidas do viver.
Tem um corpo no meu poema
que não sai de cena
que todo dia insiste
assiste, acena
e vai.
QUARTO ( Junia Lyrio )
Sou a pessoa que atravessa um quarto
enquanto poros consomem sons
inaudíveis vozes
silêncios vagantes.
Atravessada no umbigo
a farpa que lembra
o pontiagudo jogo de poder
/latejar sem dor/
/penetrar saindo/
a memória como epígrafe na pele
marcando só
o que foi
sem antes ter sido.
Sou a pessoa que trespassa o quarto crescente
enquanto corpos se eximem, vis
de rasgar gargantas
pregas rugosas.
Transitória no tecido
a umidade lúdica que assombra
a gotejada sede de verter
/vibrar sem cair/
/percorrer rangendo/
o deslize como fios nas cordas
ajuntando aí
o que é
apesar do contido.
EXTASE ( Sophia Jamali Soufi ) tradução: Nina Maria
Venha






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