Venha
Aqui
Ao lado desta velha ferida
Que a cada toque teu
Se abre de novo.
Fica comigo
Antes que esta cidade
Devore meus últimos sopros.
Teu corpo,
esse sagrado movimento,
onde cada olhar
rasga minhas fronteiras.
E eu,
nua,
renascendo da pele antiga.
Teus olhos,
dois abismos sem fundo,
duas taças transbordando de loucura,
a cada instante me chamam
para a ruína.
Teus lábios,
o gosto amargo do proibido,
com o perfume de mil beijos não dados.
Cada beijo,
um incêndio
que reduz minha alma a cinzas.
Em teu abraço
todas as fronteiras desmoronam.
E nós,
como duas almas,
nos entrelaçamos
e voamos rumo ao nada.
