Sou a pessoa que atravessa um quarto
enquanto poros consomem sons
inaudíveis vozes
silêncios vagantes.
Atravessada no umbigo
a farpa que lembra
o pontiagudo jogo de poder
/latejar sem dor/
/penetrar saindo/
a memória como epígrafe na pele
marcando só
o que foi
sem antes ter sido.
Sou a pessoa que trespassa o quarto crescente
enquanto corpos se eximem, vis
de rasgar gargantas
pregas rugosas.
Transitória no tecido
a umidade lúdica que assombra
a gotejada sede de verter
/vibrar sem cair/
/percorrer rangendo/
o deslize como fios nas cordas
ajuntando aí
o que é
apesar do contido.
