Tem um corpo no meu poema
que não sai da cama
que está mal das pernas e levita
evita as parafernálias da euforia em voga
as virtualidades
essas coisas todas, inertes
sem ossos, sem carne
sem sangue nos olhos
beijos molhados e sonoridades do amor.
Tem um corpo no meu poema
que não sai da cabeceira
que está mal do coração e palpita
habita as palafitas das moradias precárias
as aquosidades
essas coisas todas
úmidas
sem argamassa, sem paredes
sem chão sob os pés
passos longos e medidas do viver.
Tem um corpo no meu poema
que não sai de cena
que todo dia insiste
assiste, acena
e vai.
